Estar no laboratório, depois de 20 anos desenvolvendo o Inner Balance, é maravilhoso. É também a possibilidade de abrir novos caminhos entre movimento somático e ciência
O Inner nasceu da prática, da observação do corpo e de muitas perguntas sobre o movimento. Ao longo dos anos, fomos construindo uma forma de trabalhar que valoriza a experiência de cada pessoa e a capacidade do organismo de encontrar seus próprios caminhos.
Hoje, temos a possibilidade de investigar tudo isso também pela ciência.
Passamos seis dias no laboratório da UNISUL, em Pedra Branca, junto ao meu orientador, Prof. Dr. Daniel Fernandes Martins, à minha coorientadora, Profa. Dra. Larissa Sinhorim, aos parceiros do LANEX e da pesquisa e ao Prof. Robert Schleip, que esteve conosco para conhecer mais de perto o nosso trabalho e participar das discussões.
Foram dias de muita investigação.
Estivemos pensando em como mensurar experiências de movimento somático e imagética motora, discutindo diferentes intervenções, possibilidades de avaliação e caminhos para construir protocolos de pesquisa que façam sentido para aquilo que queremos investigar.
Queremos sempre compreender cientificamente como atuamos, quais caminhos facilitamos e o que acontece no organismo quando uma experiência de movimento produz uma mudança.
E queremos fazer isso sem perder uma dimensão que sempre esteve na base do nosso trabalho: o corpo vivido, a percepção e a singularidade de cada experiência.
Tivemos também a oportunidade de compartilhar o Inner Balance com o Prof. Robert Schleip, apresentando um pouco da nossa forma de compreender e aplicar o movimento a partir da perspectiva do corpo vivo e dos princípios da biotensegridade.
Foi um encontro muito rico, que nos permitiu conversar sobre diferentes possibilidades de investigação e aproximar a experiência construída pelo Inner das perguntas que estamos levando para o laboratório.
Ao longo desses dias, também pudemos discutir nosso projeto e delimitar melhor o campo de pesquisa: como investigar não apenas os efeitos da imagética motora vetorizada, mas compreender, da maneira mais precisa possível, o que acontece no corpo durante essa experiência.
- Quais processos se modificam?
- O que podemos observar?
- O que conseguimos mensurar?
- E quais ferramentas podem nos ajudar a construir essas respostas sem reduzir a complexidade da experiência corporal?
Existe uma pessoa que ocupa um lugar muito especial nessa história: Larissa Sinhorim
Desde o início, a Lari abriu espaço para que o Inner pudesse entrar no campo da pesquisa, acolhendo nossas perguntas, colocando seu conhecimento e sua disponibilidade a serviço desse processo e ajudando a transformar uma intenção em um caminho possível de investigação.
Temos uma relação que ultrapassa o trabalho e, talvez por isso, seja ainda mais significativo poder construir essa etapa ao lado dela.
Existe uma admiração imensa pela forma generosa como se coloca diante da ciência, mas também a alegria de dividir com alguém querida um momento tão importante para o Inner.
Ter a Lari conosco nessa construção também faz parte da história que estamos escrevendo.
É muito bonito ver uma história que começou no corpo encontrar novos caminhos dentro da ciência.
Obrigada ao nosso orientador, parceiros, familiares e todos que estão com a gente nesse caminho