
Desenvolvimento neuropsicomotor: descubra um novo olhar com Inner Balance
O desenvolvimento neuropsicomotor é o processo de interação entre organismo, a atividade a ser realizada, o ambiente e o comportamento. Saiba mais!

O desenvolvimento neuropsicomotor é o processo de interação entre organismo, a atividade a ser realizada, o ambiente e o comportamento. Saiba mais!

“Abrir um livro é uma oportunidade de atravessar um portal para outro mundo. É a chance de um encontro.” Sofia de Oliveira Fernandes sobre o Livro que deu o título a esse Caderno Corporal. Eu gosto muito de ler, de experimentar essas sensações diferentes que a leitura nos proporciona. Ler não é aprender, estudar, mas é reconhecer, transformar sensações, experimentar. Por isso resolvi escrever esse Caderno Corporal sobre o livro “Lugar Geopsíquico – onde a psicanálise e a geografia se encontram” de Juliana Maddalena Trifilio Dias, editora C & A Alfa Comunicação. Nos meus grupos de leituras e buscas por atualizações e novidades, conheci a Dra. Juliana e seu livro, comprei e li de uma vez só, tamanho interesse que me despertou. Minha primeira questão era: onde a Geografia e a Psicanálise se cruzam? E a segunda foi algo que me remeteu ao Inner: o lugar, a palavra. Onde ela se encontra na Geografia do Corpo? Agora vou tentar responder para vocês; A Geografia é uma área da ciência dedicada ao estudo responsável por examinar a superfície da Terra (T maiúsculo) e compreender aspectos físicos e humanos, seria a DESCRIÇ O DA TERRA. Ela se divide em geografia humana e física, é chamada de “disciplina mundial” e também a “ponte entre as ciências humanas e físicas”. A partir desse lugar das ciências humanas, no pós-guerra, começamos a observar mudanças de pessoas, lugares, culturas, que foram indo de um lugar para outro e modificando esse território e culturas. Na década de 60, um geógrafo chamado YiFutuan- um geógrafo sino-americano, ampliou essa abordagem humanista em Geografia. Seus estudos trouxeram a TOPOFILIA, que seriam os vínculos afetivos que o homem estabelece com o lugar. Temos ai a GEOGRAFIA HUMANISTA. Além de autores como o citado, temos Friedrich Ratzel, Anne Buttimer e Armand Fremont. No Brasil, temos o incrível Milton Santos, que se tornou o Pai da Geografia Crítica, uma teoria da geografia do espaço, diferentes formas de compreender a forma-conteúdo, foi um crítico da globalização e com ele veio a discussão de territórios. Posso considerar que com essa introdução, vocês leitores conseguem acompanhar essa transformação de pensar na geografia só nos aspectos físicos, climáticos, etc…. e trazer o olhar para as pessoas, para sua psique, então aí se acha o ponto do Lugar Geopsíquico trazido pela geógrafa Juliana, que também será nossa entrevistada no nosso Podcast Fala Inner de dezembro. Aproveitem para debater esse assunto entre os seus, é muito rico trazer diferentes olhares nas nossas vidas, nossas experiências. A psicanálise nos leva a lugares no nosso corpo, nossa mente, nossas emoções que a geografia também percorre, mas ora de forma concreta, ora de forma inconsciente. Esse inconsciente do lugar, esse lugar do inconsciente é desafiador e completamente desconhecido até que você se permita viver essa experiência. Aí é que se encontra essa topografia, quando falamos do lugar, e essa topologia, quando falamos do conceito espacial desse lugar. A Topologia é uma área da matemática que estuda a maneira como os pontos de um conjunto estão distribuídos e conectados (ou não) entre si. Neste contexto, não é levada em consideração a forma exata dos objetos, mas sim, as propriedades que são preservadas quando, por exemplo, estes objetos são deformados. E você consegue alcançar esse voo do pensamento onde o lugar e o psíquico se cruzam? Bom, essa já é a segunda questão, sobre a palavra e o lugar; onde ela se encontra na Geografia do Corpo? Elas se relacionam a partir do momento que você coloca a palavra na forma de expressão do indivíduo, a sua presença no mundo. A palavra da forma ao pensamento e também dá a sensação e presença no corpo. Quem faz o lugar? Um mesmo lugar, por exemplo, uma praça, pode ser vista e experimentada de uma forma por mim e de outra forma por você, certo?! Essa frase de Lacan: “Penso onde não sou, sou onde não penso.”, o que te diz? Para mim existe este LUGAR, onde a experiência se molda com a emoção e se transforma no lugar geopsíquico. Na fala da Dra. Juliana podemos adentrar um pouco nesse pensar: “Estas relações entre movimento e lugar, falta e busca também são construídas na dobra topológica entre interno e externo. “Essa busca carrega marcas conscientes e inconscientes, movimentos com escolhas deliberadas e/ou não. O que há nessas escolhas? A pulsão! Onde mora a pulsão: no coração! O coração nos aponta caminhos, nos coloca em movimento, nos faz lembrar de momentos. Na topologia existe então a relação, essa relação que buscamos no Inner entre a escuta e a palavra, o lugar e o corpo, o movimento e o momento, a pulsão e o coração! Quando falei que a geografia serve como ponto de união entre a ciência física e a humana, podemos realmente fazer essa conexão entre a palavra- o lugar- a topologia- a topofilia. E também surgem aí as terras desconhecidas da geografia, onde “é próprio das verdades nunca se mostrarem por inteiro” (Lacan). “Os lugares geopsíquicos se encadeiam nas narrativas e promovem sobreposição, condensação e deslocamentos de sentidos entre si. Nessa forma de ligação, tendemos a repetir buscas por lugares que mantém relação com nosso universo psíquico.” (Pag. 200 “Lugar Geopsíquico”). Vou provocar vocês com: o laço entre as pessoas e os lugares geopsíquicos é atravessado pela palavra, concordam? E a palavra é uma das ferramentas de comunicação entre meu corpo e o do outro. Para finalizar, o último conceito-desafio: a pausa, o intervalo, o tempo. “O lugar geopsíquico também é construído e vivido no intervalo entre – a pausa. Buscar e perder- esquecer e lembrar- viver e o saber” E “Uma das riquezas da Geografia é acolher esta pluralidade de lugares para cada um e entre todos nós” (Juliana M.Trifilio Dias). Desafio você, leitor, a escutar sobre seus lugares geopsíquicos. Finalizo com esse pequeno texto de Dunker e Thebas: “Primeiro é preciso saber tocar suavemente no outro, tatear hospitaleiramente e com delicadeza as palavras, deixar algum intervalo para ouvir o silêncio que atravessa

Bem-vindes a nossa 37ª. Edição do Caderno Corporal da Rede Inner Balance. Hoje vamos falar sobre Genômica. Você sabe o que é? Não confunda com Genética. Qual a diferença entre genética e genômica? Genética é uma ciência que faz parte da biologia. Ela tem como objetivo compreender a transmissão das características dos seres vivos para seus descendentes, ou seja, a hereditariedade. A Genômica é um campo da ciência que estuda os genomas, avaliando a interação entre os genes e o meio ambiente. Por ser multidisciplinar, tenta abordar tanto sua função quanto estrutura. Com os avanços da tecnologia podemos aprender cada dia mais sobre o nosso genoma e seu funcionamento. Genoma é o código genético de um ser vivo, uma sequência de DNA que possui todas as informações hereditárias daquele organismo. Trata-se do conjunto de cromossomos que se encontram nas células reprodutivas. E não diz respeito apenas aos genes, mas a todo o conteúdo do DNA que armazena e controla o material genético. Explicou ou complicou? A Genômica é um “braço” da genética, é uma das áreas (temos também a clássica, a molecular, a populacional). Acho que agora ficou mais fácil visualizar. O que tem haver Genômica com o movimento? Isso que fui descobrir quando entrei no estudo dessa área, quando me formei em Fisioterapia Integrativa. Vamos lá: temos determinações biológicas no nosso corpo que dependem de interações gene-ambiente. Muito se fala hoje de Epigenética não é mesmo? Seria como nossa genética é influenciada pelo meio, modo de vida, hábitos, sem alterar o código genético. Não são alterações permanentes, mas podem ser evitadas ou alteradas através de diversos estímulos, incluindo fatores ambientais. Nos fenômenos epigenéticos está fundamentada a maior parte dos processos de diferenciação celular, e devido à diferenciação ser predominantemente epigenética é possível reprogramar uma célula diferenciada. Nisso são anos de pesquisas e estudos e hoje contamos com os Testes Genéticos, que é um exame de DNA que avalia as predisposições genéticas de uma condição clínica. Podemos dizer então que esses testes tem a prevenção como objetivo primário. Às vezes as pessoas tem um pré-conceito com testes genéticos, mas eles foram amplamente estudados e cada vez mais são utilizados na prevenção de doenças ou até durante um tratamento para amplificar a eficácia do tratamento. Através dos testes podemos avaliar a integração de variáveis na nutrição, por exemplo, analisando geneticamente o metabolismo das proteínas, dos carboidratos, dos lipídios, entre outros. Vamos a um exemplo: quando você junta o resultado dos testes genéticos, os exames laboratoriais, a anamnese do nutrólogo ou nutricionista e a dieta da pessoa, você pode fazer uma intervenção nutricional segura e eficaz que chamamos de análise integrada do metabolismo. Com todos esses dados pode-se chegar a uma abordagem mais assertiva e eficaz, trazendo eficiência e potencializando um tratamento, antes que se instale uma patologia, por exemplo. Na área do movimento, temos testes tanto na área da genômica esportiva, onde se faz um perfil genético das fibras musculares relacionado às atividades físicas, a seu sistema de fornecimento de energia, a lipólise relacionada a atividade física, capacidade antioxidante, reposta inflamatória, entre outros. Com essas informações, mais exames e testes que o profissional já dispõe na sua prática clínica, podemos acertar um programa de reabilitação cardiovascular com a atividade muscular necessária, podemos compreender porque aquela pessoa não ganha massa muscular como esperávamos e adequar tanto formas e rotinas de exercícios como juntar com o nutricionista e alavancar esse tratamento. E não param por aí os estudos e pesquisas na Longevidade também, analisando riscos de osteoporose, infarto, aterosclerose, hipertensão e outros viabilizamos um envelhecimento mais saudável. A análise genética pode proporcionar maior rapidez médica, desde a análise de predisposição aumentada, o diagnóstico precoce até a prescrição de terapias mais adequadas para cada paciente. Isso significa utilizar a tecnologia para fornecer atendimento mais humanizado e personalizado. Viva a Ciência, a pesquisa e o trabalho em equipe! E assistam os Podcast do FALA INNER, pois estaremos linkando o caderno com as entrevistas e nossos convidados. Hoje nosso terceiro episódio da terceira temporada vem com uma pergunta inicial? Nosso Episódio 3 da Temporada 3 é sobre Prevenção e a Genômica, com Dr.William Regis. Vou falar um pouquinho sobre ele aqui: Vamos conversar com o Dr. William Régis, Biólogo e Nutricionista, hoje Diretor Científico do Laboratório DF Médica no Brasil, na área da Genômica Aplicada. É também Doutor em Biologia Funcional e Molecular. Nossa conversa será sobre a Prevenção e como a Genômica Clínica e os testes genéticos podem nos auxiliar não só na prevenção, mas também nos tratamentos e acompanhamentos dos profissionais da saúde atualmente. E a boa notícia é que se você assistiu esse episódio entra em contato com a DF Médica e pode fazer seu teste ou até o curso de Introdução a Genômica com um super desconto especial! Confira aqui. CLIQUE AQUI para realizar a inscrição do curso. Se preferir, fale pelo WhatsApp com a Mayra: ☎ (85)99728-0349 Agradeço a companhia e até breve! Monica Kestener Instrutora Inner Balance

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª. Feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre, sempre em frente… E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas. “ Mário Quintana Queridos leitores, bem-vindes! Quando vimos, já estamos em setembro! Talvez essa pausa do Caderno Corporal tenha acontecido como consequência de muita In-Formação, de Movimentos no Inner Balance, uma expansão enorme, chamarei aqui de “inflar e expandir”! Desde nosso 2º Congresso Internacional Inner Balance em novembro de 2022 foram acontecendo movimentos dentro e fora da nossa rede que vieram somar muito a esse “corpo” Inner. Como Mário Quintana diz, temos um dever, que chamamos de propósito, palavra tão falada hoje e que aqui tratamos dela com tanto cuidado. O tempo, como diz Platão, essencialmente não existe, faz parte do mundo das sensações. Já Aristóteles nos fala que ele é contínuo e infinito. Conhecemos suas três propriedades: passado, presente e futuro. Mas isso é filosofia, aliada a literatura, conceitos subjetivos: o tempo passa rápido ou devagar… Já na ciência, o tempo é a ferramenta que se usa para se medir a mudança das coisas, é uma sequência de acontecimentos. Mas segundo Einstein, passado, presente e futuro são uma persistente ilusão. Falando então de tempo, esses meses de 2023 foram intensos e repletos de novas ações, parcerias, com a Rede Inner se fortalecendo e expandindo suas raízes -sua base e seus braços-suas ações. Mas a qualidade de saber utilizar nosso tempo tem uma ligação profunda com nossas percepções, sensações e emoções. Quando nosso corpo se deixa levar pelo tempo sem esse estado de presença percebemos que esse tempo passa e não nos preenche. Mas quando nos disponibilizamos a viver esse corpo no tempo, existe um estado de presença com energia vital que se conectam na ação integrada e potencializada. E esse é o convite da nossa Rede Inner: conviva com as pessoas que fazem essa Presença (com P maiúsculo mesmo) acontecer. Façam parte desse TEMPO conosco! Aqui deixo um “calendário” com eventos e busque maiores informações no site, nas redes, (whatsapp, Instagram, Facebook, site Inner). – Formações: Inner Balance Fundamentals; Broaden (inner sense); Fluid. Também podem fazer as reciclagens. – InnFormação: grupo de estudos pós formação Fundamentals. -Studio Virtual: aulas virtuais com balance ball, inner sense, alívio de dor e gestantes. -Inner Introdutórios- presenciais em BH, RJ, SP, Curitiba (inscrições já abertas). -Seu Guia para Viver Bem: on-line (em andamento). Participação em Cursos/Parcerias: -ReCoNect- programa de estudos on-line sobre puerpério (duração de 1 ano, desde maio 2023) -Applied Biotensegrity in Physiotherapy: curso on-line com pesquisadores, para fisioterapeutas. (acontecendo) -Congresso Mundial de Fáscia Online (setembro 2023) -Workshops Franklin Method Brasil (acontecendo). Mais as lives, convites para aulas em universidades e cursos, canal no Youtube, Innerflix, Podcast Fala Inner e sempre surgem novidades, Inner não para, sempre em movimento. Aí podemos compreender porque o tempo passou tão rápido nesse primeiro semestre de 2023. Estamos retornando no nosso Caderno Corporal e esperamos que continuem aproveitando essa forma de conexão, a leitura! Até a próxima! Monica Kestener

Significará tal coisa que não se deve viver sem ideias? Não podemos viver sem ideias. Acaso não se deve respirar? Não podemos viver sem respirar. LÜ DSU O artista em cada um de nós Queridos leitores, Chegamos em dezembro de 2022. Está sendo uma alegria dividir este espaço com vocês. Ao longo deste ano somamos trinta e cinco edições sendo muitas delas colaborativas, o que é uma das primícias do método pois acreditamos que um corpo sustenta o outro. Pensamos, refletimos juntos sobre pesquisa, movimento, corpo e autoconhecimento. Esta edição do nosso Caderno Corporal chega até os leitores num clima de festa, de comemoração por tantas coisas boas vivenciadas. Formações, projetos, parcerias, grupos de estudos; encontros valorosos permeados pela troca entre inners, troca do método com profissionais que são referência no mundo do movimento oportunizada pela segunda edição do Congresso Internacional do Inner Balance. Mas, além de celebrarmos e agradecermos como de costume, convidamos você a refletir conosco sobre o artista que existe em cada um de nós, que diariamente se vê desafiado a dar cor e movimento à vida. Certamente você já deve ter ouvido por aí frases como: “viver é uma arte”, “viver é para artistas”, “a vida é uma arte”. Como chegam estas frases prontas no seu íntimo? O que seria ser um artista da vida? Será que todo e qualquer indivíduo pode ser o artista da sua vida? Se a vida é uma arte, como você tem construído a sua? Você a vê como uma tela? Uma instalação? Uma dança/performance? Um grande teatro? Um grafitti daqueles imensos que tomam um quarteirão inteiro? Uma vídeo projeção “vide” time square? E se a vida fosse uma celebração contínua, das pequenas às grandes conquistas fazendo com que a punição, principalmente a mental, não existisse? Ao contrário, que diante de algo que fugisse às expectativas pudéssemos virar uma chave que nos auxiliasse a olhar o “erro” como parte do aprendizado; considerar que a pincelada no ponto inesperado da tela, a torção no pé no dia da apresentação, o “died” do som ou do laptop, sejam artifícios da vida/arte para nos ensinar a lidar com os “inesperados”. Um caminho para o nosso desenvolver, o nosso florir. É compreensível que as incertezas da vida/arte, a urgência do performar, a liquidez e a rarefação das relações nos fragilizam, mas como nós enquanto educadores somáticos reagimos diante das demandas que nos são apresentadas? Temos approach para lidar com as nossas vulnerabilidades? Onde nos apoiamos quando a nossa arte “não deu certo”, quando ela não pôde ser exibida ou não se enquadrou as nossas expectativas e a do outro? Sempre falamos para as pessoas as quais nos buscam como suporte, os nossos alunos/pacientes como se organizarem mental e corporalmente. E nós? O quanto resta do artista propositor quando ele “caí”? Talvez celebrar os desvios, as caídas tenha igual importância se deixamos de pensar a afirmação “a vida é uma obra de arte”, como algo do tipo – como fazer a vida bela e harmoniosa, sensata tal como os pintores, artistas e designers tentam fazer com a sua arte e composições? E sim entender “a vida é uma obra de arte” como um fato, onde existe liberdade e vontade de escolha, características que deixam as suas marcas na forma de vida e confrontam diretamente o poder causal das forças externas. ( BAUMAN, P.72). O poder causal das forças externas está aí para nos lembrar que não somos deuses e que a vida é movimento e que movimento é vida. O movimento permite que o fluxo da vida se mantenha contínuo e não nos deixa esquecer que valores atribuídos às coisas mudam conforme a passagem do tempo e influência de gerações. Segundo BAUMAN, pessoas de gerações passadas pensavam coisas de valor permanente, imperecível, resistente aos caprichos e fluxo do destino. Seguindo os hábitos dos antigos mestres, prepararam suas telas antes de aplicar uma primeira pincelada e se certificaram que a tinta não iria se fragmentar. Já as novas gerações buscam as habilidades de artistas celebrados dos “happenings” e “instalações”, dadas as incertezas do curso que estas artes tomam durante a exposição e interação com o público. (BAUMAN, P. 75). Em suma, se permitirmos que as coisas que fazemos nos expressem; se lhes damos a nossa assinatura, estamos sendo artistas de nossas vidas. Estamos encontrando o artista em cada um de nós tornando a vida uma celebração contínua passando a não esperar o final do ano para traçar, fazer planos e nos amaldiçoar quando não os alcançamos. Seja você um artista da vida de característica conservadora ou contemporânea; que tal transformar a sua vida num festival de brilho durante todo o ano, não algo somente reservado às festividades? Boas festas, FELIZ 2022 e boas reflexões!!! Obrigada por nos acompanhar! Constancia Màtos *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. * O caderno Corporal terá uma pausa e voltará com novas reflexões em 2023. Referências consultadas BAUMAN. Zygmunt – A Arte da Vida. Editora Zahar, Rio de Janeiro. 2008 https://annelisegripp.com.br/approach/article acesso em 05 de dezembro de 2022 https://ijpr.org.br/?jet_download=3608 – Elizabeth Amaral – Vivendo de Corpo e Alma. O segredo da Flor de Ouro, acesso em 05 de dezembro de 2022 https://colunastortas.com.br/modernidade-liquida – Vinicius Siqueira. O que é Modernidade Líquida? acesso em 05 de dezembro de 2022 Post Inner Balance – Estratégias para diminuir as pressões do final do ano – para iniciar agora https://www.instagram.com/p/ClL5iKmrkWA/?igshid=NTdlMDg3MTY, acesso em 05 de dezembro de 2022 Inner no You tube – Gabrieli Maroso – Como acalmar o stress de fim de ano, acesso em 06 de dezembro de 2022 https://youtu.be/OSaNxV-2iLI

“O corpo é um ambiente ativo que constrói novos conhecimentos e comportamentos na interação com o mundo”. Bruna Petito AO encontro de – uma ética amorosa da aprendizagem Ir ao encontro ou ir de encontro? Muitas vezes temos dúvidas quanto ao emprego destas expressões. Ir ao encontro exprime concordância, já a expressão de encontro exprime uma ideia de oposição. Ir ao encontro possibilita a capacidade de afetar e ser afetado; um encontro promove a experiência do existir. Nos encontros podemos observar o espírito da amorosidade, um espírito de avizinhamento, as pessoas ali presentes em sua maior parte estão disponíveis para trocas de saberes, trocas estas que promovem o existir a partir do outro. A 34ª edição do Caderno Corporal chega até vocês leitores num clima de festa, de um grande encontro promovido por nosso 2º Congresso Internacional – Congresso pensado com muito amor para toda rede Inner e para os que acompanham o nosso trabalho. Esta edição foi estruturada com o objetivo de aproximar você das fontes que embasam e influenciam a construção do Método; oportunizando que você participante aprenda com as Escolas que inspiraram a construção do Inner Balance. Os convidados palestrantes são referências mundiais de estudo da fáscia, biotensegridade, educação somática e desenvolvimento humano. Bell Hooks em “Tudo Sobre o Amor, novas perspectivas”, diz que é preciso abraçar uma ética amorosa de cuidado, compromisso, confiança, responsabilidade, respeito e conhecimento em nosso cotidiano; que este cultivar da ética amorosa só é possível a partir do cultivar da consciência. Segundo a autora, o estar consciente permite que examinemos nossas ações criticamente para ver o que é necessário para que possamos dar carinho, ser responsáveis, demonstrar respeito e manifestar disposição de aprender. (Hooks, p.130) Pensando neste grande encontro que será o Congresso, como estar neste lugar não só para obter informações, mas para vivê-las? Como estar aí colocando-se disponível para lidar com o que não se conhece, permitindo-se ser atravessado pelo não saber. O que fazer com o não sei? Muitas vezes nos mantemos em atitudes encapsuladoras que nos impedem de aproveitarmos as oportunidades dos encontros. É aqui que entra a ética amorosa da aprendizagem. A ética amorosa da aprendizagem nos ajuda a despir a arrogância inconsciente do ego, este que muitas vezes destitui a criatividade e a escuta nos fazendo perder o lugar do encontro. A escolha em trazer o amor como um disparador para pensarmos na experiência dos encontros e da aprendizagem rompe com o lugar hierárquico do saber, rompe com a lógica capital do sucesso, da conquista, do saber mais que do outro. A ética amorosa da aprendizagem nos disponibiliza para as vivências, para a experiência que brota vida. Em uma sociedade “que tudo é para ontem” – em que o experienciar vem se perdendo, como podemos dialogar com uma existência que pulsa? O nosso desejo é que este grande encontro seja para você um lugar de encontro com o aprendizado, consigo mesmo e com o outro. Que o nosso 2º Congresso Internacional te possibilite criar novos mundos. Te esperamos no Congresso! Obrigada por nos acompanhar! Constancia Màtos *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Vem pro Studio Virtual https://instagram.com/studio_innerbalance?igshid=NTdlMDg3MTY= Referências consultadas HOOKS Bell. Tudo sobre o amor – novas perspectivas. 1a edição. São Paulo: Elefante, 2021. EMICIDA. É tudo para ontem. https://youtu.be/qbQC60p5eZk

“Devemos ao mundo a contribuição de nossos melhores eus” James Hollis Navegante ou Náufrago? Certamente você já se deteve, sentiu e percebeu a magnitude do nosso sistema corporal como um todo ao se dirigir para onde o pensamento nos move. Isso recorda um exercício muito usado na preparação corporal de atores, que seria facilmente aplicável na sala de trabalho com os alunos/pacientes, se disponibilizamos de um espaço amplo. O exercício tinha como objetivo o desenvolvimento do foco, direção/energia e consistia na escolha primeiramente a partir do olhar de um ponto qualquer da sala; ao dirigir o olhar para o ponto escolhido o ator/atriz deveria alcançar, atravessar o percurso com o seu corpo até o ponto eleito, preferencialmente sem titubear. Muitas vezes perdemos o leme do nosso barco em virtude da enxurrada de informações que recebemos cotidianamente e pior; sem nos darmos conta de que isto está acontecendo. A 34ª edição do Caderno Corporal, é um convite para refletirmos acerca de como anda o nosso critério de seleção diante de tantas ofertas que chegam diariamente no email e no feed das redes sociais. Faz sentido o investimento de tempo e energia? Tem o seu barco uma direção, ou está ele ao sabor dos ventos e das marés? Você tem investido energia estudando determinado assunto porque todo mundo tá indo por determinado caminho, ou pelo que te move? O convite para se pensar a relevância das escolhas não é novidade por aqui, mas sempre é bom relembrar sobre o quão importante é estarmos alinhados com o que realmente é importante para nós em termos de estudo e na vida pessoal também. Quando há verdade nas escolhas não desistimos diante da primeira tempestade que se apresenta, nossa vontade nos carrega de ânimo, fazendo com que o conhecimento da técnica ande junto com o conhecimento interno (intuição) auxiliando-nos a movimentar o barco a fim de que este siga o rumo desejado. Estamos há alguns dias do segundo Congresso Internacional do Método Inner Balance, congresso este que graças a curadoria da Bruna Petito, Guilherme e TC Pilates, oportuniza estarmos diante de profissionais maravilhosos, cada qual com um olhar singular sobre o movimento que é o que torna ricas as pesquisas pessoais. Será um privilégio poder acompanhá-los e a partir disto permitir-se dar início, revisitar (se este for um desejo/vontade) a própria pesquisa. Novamente aproximo a oportunidade de estar ouvindo estes profissionais à metáfora escolhida: para alguns o congresso será uma ocasião para dar partida no barco, remover uma teimosa âncora, para outros refazer a rota, e ou pegar firme o leme. Como provocação ficam as seguintes questões: neste momento: você tem despendido tempo de existência em estudos que realmente importam? No mar da vida profissional quem é você, Navegante ou Náufrago? É possível desenvolver habilidades para navegar em águas tempestuosas e tranquilas? Vamos juntos? *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota: Participe do nosso Congresso: https://paginas.email/5f902e0/congresso-internacional-inner-2022/congresso-internacional-inner-balance-2022 *Mova com a gente: https://instagram.com/studio_innerbalance?igshid=MDE2OWE1N2Q= *Acompanhe o nosso podcast “Fala Inner” com a Monica Kestener Até a próxima edição. Constância Matos Referências consultadas HOLLIS, James. Nesta Jornada que chamamos Vida – Vivendo as questões. São Paulo: Paulus, 2004.

Qual a melhor receita? “Todo o conhecimento humano começou com intuições, passou daí aos conceitos e terminou com ideias.” Immanuel Kant Você gosta de bolo? É bem difícil encontrar uma pessoa que não goste, acompanhado de um café, torna-se irresistível, não é mesmo? Pode ser que só de ter lido a palavra bolo isto tenha trazido à memória uma receita de família; da sua avó, mãe, tia, etc. Todos conhecemos os ingredientes básicos para um bolo simples: farinha, fermento, “açúcar, manteiga, leite e ovos”(quando não se tem nenhuma restrição a estes ingredientes ou ideal político). E a gente sabe que por mais que tenhamos uma receita/afeto e todos os ingredientes à mão o bolo nunca vai sair igual – ainda bem porque se assim o fosse, ele não seria tão especial. Também sabemos que à receita de um bolo simples pode-se agregar outros ingredientes e transformá-lo em por exemplo, um delicioso bolo de cenoura e chocolate (o preferido da criadora do método, a Bru Petito), em um bolo de laranja ou ainda abacaxi com coco e o que mais a criatividade e a imaginação ousar. Queria mesmo chegar nas palavras imaginação e criatividade algo que todos nós temos e que devido ao frenético estilo de vida contemporâneo vai se esvaindo em razão da falta de tempo, e quando nos damos conta estamos dando preferência a levar a dinâmica de “receitas de bolo” para o nosso trabalho. Soma-se a isto a educação que recebemos de reprodução, do copia e cola. Sabemos o quanto é desafiador sair deste círculo vicioso, é um exercício diário e muitas vezes falhamos. A 33ª edição do Caderno convida o leitor a refletir sobre esta organização pessoal para viver de forma saudável o aprendizado em um mundo onde diariamente temos acesso a tantas informações e referências fazendo com que preservar o que é intrínseco do nosso ser não seja uma tarefa fácil. Quando falamos de Educação Somática estamos justamente falando de uma pesquisa pessoal, de um conhecimento de si-mesmo; estamos a investigar um corpo “que não é só nosso”, um corpo atravessado por obrigações, metas, um corpo que tem uma história, um corpo que precisa lidar com as intempéries relacionais e da natureza propriamente dita. O Inner Balance veio ao mundo a fim de propor um novo olhar para os “moventes”, para o movimento e para o profissional Intrutor/facilitador. Podemos dizer que o Inner tem como Filosofia a conquista de uma unidade, um espaço para criar uma atmosfera de ressonância entre o facilitador – o aprendizado – o aluno/paciente – e o ambiente. O Método é um incentivador, possibilita que aos poucos o instrutor/facilitador e aluno/paciente se desprendam do modo operatório “receita de bolo” transformando a maneira de estudar e/ do próprio mover o corpo no mundo. De acordo com Jung o enfrentamento de um cotidiano que se apresenta com todas as suas demandas, com todas as suas exigências de dedicação, paciência, perseverança e sacrifícios, humildemente, sem visar o aplauso, sem grandes gestos heróicos é o desafio invisível mesmo em tempos de grande exposição nas redes sociais de todos nós seres viventes. Encontrar a nossa verdade, a nossa forma de trabalhar e estar no mundo é uma determinante para evitar a distração do si-mesmo. É fácil, fácil ficar fantasiando sobre aquilo que a gente não é, sobre o que a gente não tem. Difícil mesmo apesar de ser mais simples é ser aquilo que já somos. Sempre estamos olhando a grama do vizinho Se você é bom tecnicamente, exalte isto, se você é bom para compartilhar seus conhecimentos ministrando curso para formação de outros profissionais faça isto. Se você não descobriu ainda seu lugar, tudo bem. Cada pessoa tem seu tempo, tem a sua própria maneira de caminhar. Evite a comparação com o outro e coloque a sua luz, a sua verdade no seu trabalho. Você tem a opção de escolher o que você é e entender que cada pessoa foi criada para uma determinada coisa, que tem uma forma de se expressar e de compartilhar o conhecimento, o aprendizado. Lembre-se que o universo foi feito para todos. Quanto menos justificativa você der para sua existência, quanto menos você se comparar com o outro, menos importância a receita de bolo terá para a sua vida. Você vai “fazer o seu melhor bolo” a partir de uma receita criada por você. No começo será um gostoso bolo simples, mas que terá todo o significado do mundo. E assim que ganhar confiança passará a elaborar receitas muito mais complexas, mas não se esqueça, que o simples também é bom e que seguir firme mesmo depois de umas primeiras receitas terem desandado é uma forma de perseverar no propósito de deixar a sua contribuição para a história do outro e do mundo. *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota: Participe do nosso Congresso: https://paginas.email/5f902e0/congresso-internacional-inner-2022/congresso-internacional-inner-balance-2022 *Mova com a gente: https://instagram.com/studio_innerbalance?igshid=MDE2OWE1N2Q= *Acompanhe o nosso podcast “Fala Inner” com a Monica Kestener * Acompanhe a cozinhaafetuosa da Inner de base Gi Marqueli Instagram Cozinha Afetos Até a próxima edição! Constância Matos Referências consultadas BOLSANELLO Débora. Em Pleno Corpo. Educação Somática, Movimento e Saúde. Curitiba: Juruá, 2009. JUNG, Carl G. O Eu e o Inconsciente. Coleção Obra Completa de C. G. Jung. Vol. 7/2. Trad. Dora Ferreira da Silva. 21 ed. – Petrópolis: Vozes, 2008. STEIN Murray. O Mapa da Alma – Uma Introdução. São Paulo: Cultrix, 5ª edição, 2006. Sobre Si-Mesmo – disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/9835/9835_5.PDF

A Sincronicidade Corpo e Mente É ilusório pensar que nossas percepções são diretas e precisas; o cérebro não se limita a receber dados brutos que provêm dos sentidos em vez disso, cada sistema sensorial precisa antes analisar, desconstruir para depois reestruturar as informações brutas que chegam de acordo com as conexões e regras intrínsecas. Kendall Você já parou para refletir sobre o motivo que o faz sair de casa para uma rotina de exercícios? Ou sobre o que o impede de buscar uma vida mais ativa? Grande parte das pessoas buscam exercitar o corpo porque o médico disse que é preciso, pela forma estética ou depois que o corpo passa por um adoecimento e nunca pelo prazer de movimentar o corpo e promover sua autorregulação. Cada vez mais, estudos comprovam que buscar atividades objetivando somente resultados desfavorece as conexões dos sistemas que promovem a autorregulação do corpo. Isso acontece porque no lugar do sentir e perceber o corpo os seus pensamentos estão ocupados com preocupações, anseios/desejos, o que impede a escuta ativa dos sinais do seu corpo que pode estar tentando por exemplo, falar para você perceber a respiração enquanto se movimenta, que você sinta a relação do corpo e o ambiente ou ainda atentar para os indicativos de que já treinou o suficiente hoje e que você precisa dar tempo para recuperar os substratos necessários para manter seu corpo produzindo movimento; ou seja, mente e corpo precisam estar conectados, um na escuta do outro. Parece um pouco complexo entender este diálogo corpo e mente não é verdade? Confidencio a vocês que ao pensar em trazer este assunto para a 32ª edição do nosso caderno corporal pareceu-me algo menos complexo, mas descobri um caminho não tão fácil assim e ao mesmo tempo apaixonante. E para falar de como é processado esta relação de maneira a simplificar o entendimento encontrei interessante trazer a abordagem da Dra Lia Romano que enfatiza a insustentabilidade da dicotomia entre o somático e o psíquico, principalmente quando pensamos nos estudos atuais da Biologia, Neurociência e Movimento: segundo Lia, polaridades matéria/energia, cérebro/mente, neurogênese/psicogênese, corpo/espírito são aspectos do mesmo fenômeno, são palavras diferentes que se referem a mesma coisa. (Andreasen apud Romano, p. 165, 2022). Lia nos recorda ainda que o trabalho conjunto dos sistemas nervoso, endócrino e sistema imunológico são essenciais para a manutenção do equilíbrio homeostático do organismo frente a um mundo em constante movimento. Você sabia que um dos primeiros sinais de que o corpo não está bem acontece no campo energético e isto acontece graças à capacidade da sensopercepção? Temos espalhados nos tecidos corporais receptores responsáveis em captar estímulos internos (viscero receptores e receptores para propriocepção) e externos (somatorreceptores) e os enviar para o Sistema Nervoso Central; processo que acontece mediante uma comunicação das vias aferentes, que utilizam a medula espinhal até a conexão com o tálamo, que se comunica com partes do encéfalo (córtex pré – frontal, córtex motor, córtex sensorial), regiões estas ligadas aos processos emocionais e da memória. Os neurônios centrais do córtex, subcortex recebem também estímulo do tálamo pelas vias aferentes provendo diferentes respostas: Motora: que promove a relação do sujeito com o meio através do movimento/volição;. visceral: mantém o equilíbrio do organismo através do SNA e do eixo HHA (adaptando o organismo a situações entendidas como estressantes); Sensorial: resposta às sensopercepções resultantes dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato/dor, pressão, temperatura) e também na percepção da intuição; Racional: relacionada a sentimento, consciência, pensamento, memória, cognição e raciocínio; Emocional: emoções e memórias afetivas. Vimos até aqui um apanhado de informações sobre os processos que precisam acontecer para que haja a conexão corpo e mente, mas qual a importância de conhecer estes processos? No Innerbalance, entender o funcionamento do corpo e mente nos é caro, pois acreditamos que as emoções estão diretamente vinculadas a neuroplasticidade cerebral e a autorregulação. Os trabalhos atuais sobre plasticidade cerebral mostram que a exposição às influências ambientais (psicológicas, biológicas, químicas e físicas) causam mudança no cérebro. Acreditamos que o cérebro pode mudar suas estruturas e sua química melhorando a forma do sujeito se organizar corporalmente no mundo pensando não só em funcionalidade das estruturas corporais, mas também nas respostas psíquicas e emocionais de forma a organizar-se e adaptar-se em um mundo que muda a todo instante. Acreditamos que a condução verbal precisa e gentil, o uso das imagens intuitivas levem o sujeito a organizar suas estruturas corporais, melhorando o quadro de dor e desconforto gerando bem estar e consequentemente uma melhor relação com suas emoções, com o ambiente e com o outro – conquista da Autorregulação. Sendo assim fica o convite de, ao invés de praticar exercícios porque te disseram que é bom ou para conquistar uma forma corporal, fazer deste um momento de conexão entre você e o seu corpo,. que você veja este momento como uma oportunidade de escutar, compreender e preencher-se de você. Afinal de contas é ele que te leva para o movimento da vida. *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota: *Mova com a gente: https://mailchi.mp/dedf90ae38ef/studioinnerbalance *Acompanhe o nosso podcast “Fala Inner” com Monica Kestener https://open.spotify.com/episode/0AZgL7uUk0zbJBIg8Xu5N9?si=w7G8FxvGSV2iQwJG_8iD4A Até a próxima edição! Constância Matos Referências consultadas MAGALDI FILHO, W. e outros autores. Fundamentos da Psicologia Analítica. São Paulo. Ed Eleva Cultural, 2022. https://www.instagram.com/p/CjiCKjMLbhg/?utm_source=ig_web_copy_link

Às vezes, as reações corporais são mais drásticas do que o rubor breve ou uma lágrima ocasional. Suzanne O´ Sullivan Muito possivelmente você já ouviu queixas e relatos de dores lancinantes em pessoas que foram viradas do avesso e têm seus exames clínicos classificados como normais. Chegamos à 31ª edição da publicação quinzenal do nosso caderno corporal e mais uma vez vamos trazer o assunto DOR. Nesta edição não vamos tratar de falar sobre os tipos de dores existentes, mas sim pegar a trama tecida pelo convidado do Fala Inner, o Fisioterapeuta Lisandro Ceci, a fim de trazer um entendimento sobre o fato de que algumas pessoas têm seus exames clínicos normais e no entanto sua saúde física e emocional se encontra abalada por não encontrarem uma causa aparente para suas dores. Também é de nosso interesse fazer uma reflexão sobre como nós profissionais do movimento através de nosso trabalho podemos acolher e ajudar estes indivíduos desacreditados que um dia poderão viver mais felizes e saudáveis corporalmente, mesmo tendo em algum momento ouvido como diagnóstico a frase: “ISTO É COISA DA SUA CABEÇA” e hoje a têm impressa na mente e corpo. E realmente quando a dor não acontece devido a uma lesão a “coisa” toda pode ser da nossa cabeça, pois se trata de uma desordem química do sistema nervoso. Keleman em “O corpo diz sua mente”, fala do poder do nosso sistema nervoso de conter nossa expressão, o nosso estado vibratório e de intensificar ou dissipar uma dor. Segundo Keleman, um corpo que se reconhece parte do ambiente tem a capacidade autorreguladora como aliada nos processos álgicos. Assim como Keleman, o Fisioterapeuta Lisandro acredita que a autopercepção, que é a capacidade de organizar a nossa paisagem interna e externa, potencializa o diálogo corpo/mente diminuindo as chances do sistema nervoso fazer uma interpretação perceptiva equivocada, evitando desta forma que ele pegue algo pequeno e o torne grande. Esta interpretação errônea de que o sistema nervoso tende a fazer, acontece em função da maioria das dores serem percebidas pelas mesmas áreas que processam as emoções. Algo que precisa ser lembrado é que os aspectos emocionais como: ansiedade, depressão, tensão e estresse também influenciam e podem acentuar os quadros álgicos. Talvez a primeira atitude de um profissional para com casos onde não se é encontrada uma lesão que justifique a magnitude de uma dor seja escutar o aluno/paciente. É muito comum nas salas de atendimento e consultórios a ausência de uma escuta ativa e sensível pautada numa boa comunicação, numa ressonância entre profissional e aluno/paciente. Quando a presença corporal de ambos entra em ressonância acontece a reciprocidade, este encontro entre dois corpos facilita o entendimento do aluno/paciente, da percepção do próprio corpo, do corpo do outro e do ambiente, facilitando o experienciar de si mesmo. Outro fator corriqueiro quando não se encontra uma causa para as dores é classificá-las como um distúrbio “psicossomático”. Devemos tomar certo cuidado ao utilizarmos termos que muitas vezes agravam ainda mais o estado de ansiedade do indivíduo. Existe uma grande confusão conceitual deste termo, tanto na área da medicina quanto na área da psicologia. A conceituação moderna influenciada por Helen Dunbar e Jung é o que mais se aproxima dos estudos do corpo quando se fala em Educação Somática; é o entendimento de que não existe uma distinção entre mente e corpo, ou seja, é muito íntimo o inter-relacionamento dos traços psíquicos e corporais. Os transtornos psicossomáticos realmente existem e são considerados como doenças nas quais uma pessoa sofre com sintomas físicos expressivos causadores de sofrimento e deficiências reais não detectados em exames físicos ou clínicos. Estes distúrbios são singulares, não obedecem regras e podem afetar qualquer parte do corpo. Podem manifestar-se inclusive de forma agressiva como paralisia, convulsões, doenças autoimunes entre outras. Não vamos nos estender aqui pois este será um tema a ser abordado proximamente. Deixamos aqui algumas perguntas importantes para você refletir acerca do seu papel enquanto profissional do movimento: Você crê que seja pertinente dar corpo à educação terapêutica; mostrar para os alunos/pacientes que aprender sobre as coisas pertinentes ao funcionamento do organismo repercute em um estado de conscientização deste corpo no mundo/corpo vivo? Quanto ao entendimento do corpo vivo, realmente ele pode corroborar para a autorregulação e amenizar estados álgicos não complexos? Você tem respeitado a singularidade e subjetividade do seu aluno/paciente, lembrando que cada pessoa tem reações diferentes diante de um quadro doloroso? Tem considerado o estado emocional desta pessoa que chega buscando ajuda? Vamos pensar sobre isto? A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota: Acompanhe o nosso podcast: Fala Inner com a Inner Monica Kestener Beijos e até a próxima edição. Constância Matos. Referências consultadas Keleman Stanley. O corpo diz sua mente. Summus Editorial – 2ª edição. São Paulo, 1996. O´ Sullivan Suzanne. Isso é coisa da sua cabeça. Histórias verdadeiras sobre doenças imaginárias. Ed Best Seller – 1ª edição. Rio de Janeiro, 2016 Toda Dor é uma percepção cerebral e toda dor crônica envolve neuropsiquiatria. https://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/arquivos/4503 Post Inner Balance – Giovanna Marqueli https://www.instagram.com/reel/Ci0tCY4jnDC/?igshid=MDE2OWE1N2Q=