CADERNO CORPORAL
CADERNO CORPORAL

Dor no quadril, sistema nervoso e contexto de vida: um caso clínico na abordagem Inner Balance

Quando o corpo fala, ele revela muito mais do que um sintoma isolado. Ele expressa histórias, contextos, padrões de adaptação e modos de sobreviver às exigências da vida.
Este caso clínico, conduzido por Regiane Souza, facilitadora da Rede Inner Balance, ilustra como a ampliação do olhar terapêutico pode transformar não apenas a relação com a dor, mas a forma como a pessoa habita o próprio corpo.

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O que constrói um ser humano?

Em certos momentos do ano, algumas perguntas se tornam inevitáveis. Não porque algo extraordinário tenha acontecido, mas porque o corpo desacelera o suficiente para perceber o que sempre esteve ali. O que, afinal, nos constrói? O que sustenta quem somos quando o tempo passa, os ciclos mudam e as relações se transformam

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Nervo Vago: o que é e por que virou foco nas discussões atuais

ocê já ouviu falar sobre o nervo vago?
Esse nervo essencial conecta corpo e mente, regulando funções como o estresse e a digestão. Profissionais do movimento e terapeutas estão cada vez mais atentos ao seu impacto no bem-estar e na integração corpo-mente.

Descubra como o nervo vago pode transformar sua prática e melhorar o cuidado com o corpo.

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Biomecânica – O Paradigma Oposto da Biotensegridade!

O corpo humano tem sido tradicionalmente ensinado e analisado sob a ótica da biomecânica clássica Mas e se essa visão não representasse com precisão a realidade do movimento humano? Leia abaixo mais sobre a biotensegridade um modelo oposto da biomecânica e propõe um olhar mais holístico e integrado.

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Homem passando com médica para avaliar sua Escoliose.

Escoliose: mitos e verdades que todo profissional do movimento precisa conhecer

Rodeada de mitos e verdades, a escoliose é frequentemente vista apenas como uma deformidade da coluna, com tratamento focado exclusivamente em alongamentos. No entanto, é essencial considerar a fáscia (tecido conjuntivo que envolve músculos e órgãos) no tratamento, pois ela desempenha um papel importante na biomecânica e na saúde da coluna. Saiba mais!

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LUGAR GEOPSÍQUICO – onde a psicanálise e a geografia se encontram

“Abrir um livro é uma oportunidade de atravessar um portal para outro mundo. É a chance de um encontro.” Sofia de Oliveira Fernandes sobre o Livro que deu o título a esse Caderno Corporal. Eu gosto muito de ler, de experimentar essas sensações diferentes que a leitura nos proporciona. Ler não é aprender, estudar, mas é reconhecer, transformar sensações, experimentar. Por isso resolvi escrever esse Caderno Corporal sobre o livro “Lugar Geopsíquico – onde a psicanálise e a geografia se encontram” de Juliana Maddalena Trifilio Dias, editora C & A Alfa Comunicação. Nos meus grupos de leituras e buscas por atualizações e novidades, conheci a Dra. Juliana e seu livro, comprei e li de uma vez só, tamanho interesse que me despertou. Minha primeira questão era: onde a Geografia e a Psicanálise se cruzam? E a segunda foi algo que me remeteu ao Inner: o lugar, a palavra. Onde ela se encontra na Geografia do Corpo? Agora vou tentar responder para vocês; A Geografia é uma área da ciência dedicada ao estudo responsável por examinar a superfície da Terra (T maiúsculo) e compreender aspectos físicos e humanos, seria a DESCRIÇ O DA TERRA. Ela se divide em geografia humana e física, é chamada de “disciplina mundial” e também a “ponte entre as ciências humanas e físicas”. A partir desse lugar das ciências humanas, no pós-guerra, começamos a observar mudanças de pessoas, lugares, culturas, que foram indo de um lugar para outro e modificando esse território e culturas. Na década de 60, um geógrafo chamado YiFutuan- um geógrafo sino-americano, ampliou essa abordagem humanista em Geografia. Seus estudos trouxeram a TOPOFILIA, que seriam os vínculos afetivos que o homem estabelece com o lugar. Temos ai a GEOGRAFIA HUMANISTA. Além de autores como o citado, temos Friedrich Ratzel, Anne Buttimer e Armand Fremont. No Brasil, temos o incrível Milton Santos, que se tornou o Pai da Geografia Crítica, uma teoria da geografia do espaço, diferentes formas de compreender a forma-conteúdo, foi um crítico da globalização e com ele veio a discussão de territórios. Posso considerar que com essa introdução, vocês leitores conseguem acompanhar essa transformação de pensar na geografia só nos aspectos físicos, climáticos, etc…. e trazer o olhar para as pessoas, para sua psique, então aí se acha o ponto do Lugar Geopsíquico trazido pela geógrafa Juliana, que também será nossa entrevistada no nosso Podcast Fala Inner de dezembro. Aproveitem para debater esse assunto entre os seus, é muito rico trazer diferentes olhares nas nossas vidas, nossas experiências. A psicanálise nos leva a lugares no nosso corpo, nossa mente, nossas emoções que a geografia também percorre, mas ora de forma concreta, ora de forma inconsciente. Esse inconsciente do lugar, esse lugar do inconsciente é desafiador e completamente desconhecido até que você se permita viver essa experiência. Aí é que se encontra essa topografia, quando falamos do lugar, e essa topologia, quando falamos do conceito espacial desse lugar. A Topologia é uma área da matemática que estuda a maneira como os pontos de um conjunto estão distribuídos e conectados (ou não) entre si. Neste contexto, não é levada em consideração a forma exata dos objetos, mas sim, as propriedades que são preservadas quando, por exemplo, estes objetos são deformados. E você consegue alcançar esse voo do pensamento onde o lugar e o psíquico se cruzam? Bom, essa já é a segunda questão, sobre a palavra e o lugar; onde ela se encontra na Geografia do Corpo? Elas se relacionam a partir do momento que você coloca a palavra na forma de expressão do indivíduo, a sua presença no mundo. A palavra da forma ao pensamento e também dá a sensação e presença no corpo. Quem faz o lugar? Um mesmo lugar, por exemplo, uma praça, pode ser vista e experimentada de uma forma por mim e de outra forma por você, certo?! Essa frase de Lacan: “Penso onde não sou, sou onde não penso.”, o que te diz? Para mim existe este LUGAR, onde a experiência se molda com a emoção e se transforma no lugar geopsíquico. Na fala da Dra. Juliana podemos adentrar um pouco nesse pensar: “Estas relações entre movimento e lugar, falta e busca também são construídas na dobra topológica entre interno e externo. “Essa busca carrega marcas conscientes e inconscientes, movimentos com escolhas deliberadas e/ou não. O que há nessas escolhas? A pulsão! Onde mora a pulsão: no coração! O coração nos aponta caminhos, nos coloca em movimento, nos faz lembrar de momentos. Na topologia existe então a relação, essa relação que buscamos no Inner entre a escuta e a palavra, o lugar e o corpo, o movimento e o momento, a pulsão e o coração! Quando falei que a geografia serve como ponto de união entre a ciência física e a humana, podemos realmente fazer essa conexão entre a palavra- o lugar- a topologia- a topofilia. E também surgem aí as terras desconhecidas da geografia, onde “é próprio das verdades nunca se mostrarem por inteiro” (Lacan). “Os lugares geopsíquicos se encadeiam nas narrativas e promovem sobreposição, condensação e deslocamentos de sentidos entre si. Nessa forma de ligação, tendemos a repetir buscas por lugares que mantém relação com nosso universo psíquico.” (Pag. 200 “Lugar Geopsíquico”). Vou provocar vocês com: o laço entre as pessoas e os lugares geopsíquicos é atravessado pela palavra, concordam? E a palavra é uma das ferramentas de comunicação entre meu corpo e o do outro. Para finalizar, o último conceito-desafio: a pausa, o intervalo, o tempo. “O lugar geopsíquico também é construído e vivido no intervalo entre – a pausa. Buscar e perder- esquecer e lembrar- viver e o saber” E “Uma das riquezas da Geografia é acolher esta pluralidade de lugares para cada um e entre todos nós” (Juliana M.Trifilio Dias). Desafio você, leitor, a escutar sobre seus lugares geopsíquicos. Finalizo com esse pequeno texto de Dunker e Thebas: “Primeiro é preciso saber tocar suavemente no outro, tatear hospitaleiramente e com delicadeza as palavras, deixar algum intervalo para ouvir o silêncio que atravessa

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RESPIRAÇÃO E COMPORTAMENTO

“Uma vela acesa respira e o resultado é a chama. O corpo respira e o resultado é a vida. Nem a chama nem a vida são substâncias, mas processos. A chama é tão diferente do pavio e da cera quanto a vida, do corpo, a gravidade, da maçã em queda ou o amor, dos hormônios.” John W. Severinghaus (1922-2021) Respirar é um verbo, então nos remete a ação. Essa ação nos promove a vida, sem respirar não vivemos. É o primeiro e também o último ato que realizamos nessa nossa existência nessa tridimensionalidade. De tamanha importância essa ação, ela nos perpassa os dias, sem sequer nos percebermos de que maneira a fazemos: como agimos na respiração? Esse pequeno texto inicial de John W. Severinghaus já nos coloca nesse ponto da observação. Médico e Físico que inventou a moderna análise de gases sanguíneos, uniu a ciência da respiração à arte da medicina. Ele foi o inventor, que trouxe benefícios às pessoas através do seu amplo conhecimento médico e físico, do analisador de gases sanguíneos (oxímetro). Passou a vida a estudar a respiração, do ponto de vista do equilíbrio eletrolítico (ácido básico) e agradecemos suas incríveis descobertas. Mas voltando ao ato de respirar, o processo respiratório, tudo que envolve essa ação que nos passa pela vida sem que nos atentemos a seus detalhes (exceto os que lidam com ela e seus significados diariamente). Assim com a respiração, vem junto a circulação sanguínea, o sistema cardiorrespiratório que desde a vida embrionária vem formar o coração e o pulso da vida. O controle da respiração pelos centros respiratórios bulbares, por meio de “leituras” bioquímicas (o famoso pH) nos fornece informações autônomas e neurovegetativas (nervo frênico) que vão para nossos músculos respiratórios. A respiração é o principal mecanismo de controle do pH do sangue. MAS SABEMOS QUE ESTADOS DE ANSIEDADE E ANGÚSTIA TAMBÉM ALTERAM A RESPIRAÇÃO. Temos então esse comando central, cerebral da respiração. A respiração lenta e profunda aumenta a taxa de endorfinas (hormônios do bom humor), podendo agir de forma benéfica nos estados de tensão e estresse. Você pode estar me perguntando sobre o tema desse Caderno: mas como a respiração tem relação com o comportamento? Como a respiração pode ser agente de mudança? Então vamos lá: como você está respirando nesse momento? Pare o que está fazendo e preste a atenção a sua respiração: a frequência, volumes, temperatura, sensações. Quando “paramos” para perceber como estamos respirando já alteramos nosso comportamento, nosso tônus, nossas percepções e emoções. Durante um minuto, respiramos cerca de 5 a 8 litros de ar, mesmo em repouso, e além do controle neurológico, também dependemos do nosso tecido pulmonar, da elasticidade do pulmão, de líquidos que se movimentam, de superfícies que deslizam entre si. A complexidade do movimento respiratório é tamanha, que dela dependemos. Bom, voltando a relação desta com o comportamento, se tal complexidade envolve diferentes tecidos e controles, podemos entender que alterações químicas, neurológicas, eletrolíticas, mecânicas (incluindo as musculares aqui) e hormonais podem alterar essa função. Sobre nosso comportamento também podemos relacionar toda essa complexidade, mas aqui temos um componente importante: a cognição, a memória, nosso consciente e inconsciente. Podemos relacionar à respiração a fala, nossa voz, então a respiração e a comunicação estão de mãos dadas na nossa vida, já dizia Wilheim Reich quando estudou e nos apresentou as couraças musculares do caráter. Da Psicanálise, onde se pauta na fala e na palavra, na conversa, tendo Freud como seu precursor, onde não se considerava uma análise mais corporal, tônica, da expressão do nosso eu. Mas com os estudos e práticas de Reich, Lowen e demais autores, dentre esses nosso maior representante José ngelo Gaiarsa, a respiração foi “readmitida” no espaço da psicologia e da consciência. Aqui deixo uma frase deste, no livro, “Respiração, angústia e renascimento” da editora Àgora: “…todas as emoções do aqui e agora estão essencial e profundamente ligadas ao aparelho cardiorrespiratório” Através das análises da respiração e das atitudes corporais “entendemos” comportamentos e são tratados distúrbios comportamentais e sofrimentos psicossomáticos de diversas ordens. Dizia Reich: “Qualquer ativação da couraça muscular do caráter envolve sempre uma inibição respiratória.” Nota-se ai a importância do comportamento da respiração com as atitudes e emoções das pessoas. “Apertar o peito” não é uma metáfora; quer dizer endurecer o tórax, ou apertar o peito com as mãos ou com outro gesto, conforme o que parece melhor no momento. Mas é um esforço corporal, muscular; não é apenas mental. Para entrar mais nesses assuntos, sugiro ler obras de Freud, Reich e Jung, assim como as de José ngelo Gaiarsa. Aproveito para convidar a assistirem o Podcast Fala Inner que irá ao ar junto com esse Caderno Corporal. Conversaremos com o sobrinho neto de J.A.Gaiarsa, Arthur Gaiarsa, que vem trazendo luz aos livros e materiais do psicanalista brasileiro, unindo com seus conhecimentos e práticas da Bioenergética entre outros. Espero você no nosso Fala Inner. “A individualidade começa no coração e completa-se na respiração, motivos a mais, e tão importantes, para se dar a estas funções um valor psicológico que lhes tem sido negado até o presente.” (J.A. Gaiarsa no livro: “Respiração e Circulação” 1990-editora agora. Abraço de coração com respiração Monica Kestener

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A PREVENÇÃO E A GENÔMICA

Bem-vindes a nossa 37ª. Edição do Caderno Corporal da Rede Inner Balance. Hoje vamos falar sobre Genômica. Você sabe o que é? Não confunda com Genética. Qual a diferença entre genética e genômica? Genética é uma ciência que faz parte da biologia. Ela tem como objetivo compreender a transmissão das características dos seres vivos para seus descendentes, ou seja, a hereditariedade. A Genômica é um campo da ciência que estuda os genomas, avaliando a interação entre os genes e o meio ambiente. Por ser multidisciplinar, tenta abordar tanto sua função quanto estrutura. Com os avanços da tecnologia podemos aprender cada dia mais sobre o nosso genoma e seu funcionamento. Genoma é o código genético de um ser vivo, uma sequência de DNA que possui todas as informações hereditárias daquele organismo. Trata-se do conjunto de cromossomos que se encontram nas células reprodutivas. E não diz respeito apenas aos genes, mas a todo o conteúdo do DNA que armazena e controla o material genético. Explicou ou complicou? A Genômica é um “braço” da genética, é uma das áreas (temos também a clássica, a molecular, a populacional). Acho que agora ficou mais fácil visualizar. O que tem haver Genômica com o movimento? Isso que fui descobrir quando entrei no estudo dessa área, quando me formei em Fisioterapia Integrativa. Vamos lá: temos determinações biológicas no nosso corpo que dependem de interações gene-ambiente. Muito se fala hoje de Epigenética não é mesmo? Seria como nossa genética é influenciada pelo meio, modo de vida, hábitos, sem alterar o código genético. Não são alterações permanentes, mas podem ser evitadas ou alteradas através de diversos estímulos, incluindo fatores ambientais. Nos fenômenos epigenéticos está fundamentada a maior parte dos processos de diferenciação celular, e devido à diferenciação ser predominantemente epigenética é possível reprogramar uma célula diferenciada. Nisso são anos de pesquisas e estudos e hoje contamos com os Testes Genéticos, que é um exame de DNA que avalia as predisposições genéticas de uma condição clínica. Podemos dizer então que esses testes tem a prevenção como objetivo primário. Às vezes as pessoas tem um pré-conceito com testes genéticos, mas eles foram amplamente estudados e cada vez mais são utilizados na prevenção de doenças ou até durante um tratamento para amplificar a eficácia do tratamento. Através dos testes podemos avaliar a integração de variáveis na nutrição, por exemplo, analisando geneticamente o metabolismo das proteínas, dos carboidratos, dos lipídios, entre outros. Vamos a um exemplo: quando você junta o resultado dos testes genéticos, os exames laboratoriais, a anamnese do nutrólogo ou nutricionista e a dieta da pessoa, você pode fazer uma intervenção nutricional segura e eficaz que chamamos de análise integrada do metabolismo. Com todos esses dados pode-se chegar a uma abordagem mais assertiva e eficaz, trazendo eficiência e potencializando um tratamento, antes que se instale uma patologia, por exemplo. Na área do movimento, temos testes tanto na área da genômica esportiva, onde se faz um perfil genético das fibras musculares relacionado às atividades físicas, a seu sistema de fornecimento de energia, a lipólise relacionada a atividade física, capacidade antioxidante, reposta inflamatória, entre outros. Com essas informações, mais exames e testes que o profissional já dispõe na sua prática clínica, podemos acertar um programa de reabilitação cardiovascular com a atividade muscular necessária, podemos compreender porque aquela pessoa não ganha massa muscular como esperávamos e adequar tanto formas e rotinas de exercícios como juntar com o nutricionista e alavancar esse tratamento. E não param por aí os estudos e pesquisas na Longevidade também, analisando riscos de osteoporose, infarto, aterosclerose, hipertensão e outros viabilizamos um envelhecimento mais saudável. A análise genética pode proporcionar maior rapidez médica, desde a análise de predisposição aumentada, o diagnóstico precoce até a prescrição de terapias mais adequadas para cada paciente. Isso significa utilizar a tecnologia para fornecer atendimento mais humanizado e personalizado. Viva a Ciência, a pesquisa e o trabalho em equipe! E assistam os Podcast do FALA INNER, pois estaremos linkando o caderno com as entrevistas e nossos convidados. Hoje nosso terceiro episódio da terceira temporada vem com uma pergunta inicial? Nosso Episódio 3 da Temporada 3 é sobre Prevenção e a Genômica, com Dr.William Regis. Vou falar um pouquinho sobre ele aqui: Vamos conversar com o Dr. William Régis, Biólogo e Nutricionista, hoje Diretor Científico do Laboratório DF Médica no Brasil, na área da Genômica Aplicada. É também Doutor em Biologia Funcional e Molecular. Nossa conversa será sobre a Prevenção e como a Genômica Clínica e os testes genéticos podem nos auxiliar não só na prevenção, mas também nos tratamentos e acompanhamentos dos profissionais da saúde atualmente. E a boa notícia é que se você assistiu esse episódio entra em contato com a DF Médica e pode fazer seu teste ou até o curso de Introdução a Genômica com um super desconto especial! Confira aqui. CLIQUE AQUI para realizar a inscrição do curso. Se preferir, fale pelo WhatsApp com a Mayra: ☎ (85)99728-0349 Agradeço a companhia e até breve! Monica Kestener Instrutora Inner Balance

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A retomada

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª. Feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre, sempre em frente… E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas. “ Mário Quintana   Queridos leitores, bem-vindes! Quando vimos, já estamos em setembro! Talvez essa pausa do Caderno Corporal tenha acontecido como consequência de muita In-Formação, de Movimentos no Inner Balance, uma expansão enorme, chamarei aqui de “inflar e expandir”! Desde nosso 2º Congresso Internacional Inner Balance em novembro de 2022 foram acontecendo movimentos dentro e fora da nossa rede que vieram somar muito a esse “corpo” Inner. Como Mário Quintana diz, temos um dever, que chamamos de propósito, palavra tão falada hoje e que aqui tratamos dela com tanto cuidado. O tempo, como diz Platão, essencialmente não existe, faz parte do mundo das sensações. Já Aristóteles nos fala que ele é contínuo e infinito. Conhecemos suas três propriedades: passado, presente e futuro. Mas isso é filosofia, aliada a literatura, conceitos subjetivos: o tempo passa rápido ou devagar… Já na ciência, o tempo é a ferramenta que se usa para se medir a mudança das coisas, é uma sequência de acontecimentos. Mas segundo Einstein, passado, presente e futuro são uma persistente ilusão.  Falando então de tempo, esses meses de 2023 foram intensos e repletos de novas ações, parcerias, com a Rede Inner se fortalecendo e expandindo suas raízes -sua base e seus braços-suas ações. Mas a qualidade de saber utilizar nosso tempo tem uma ligação profunda com nossas percepções, sensações e emoções. Quando nosso corpo se deixa levar pelo tempo sem esse estado de presença percebemos que esse tempo passa e não nos preenche. Mas quando nos disponibilizamos a viver esse corpo no tempo, existe um estado de presença com energia vital que se conectam na ação integrada e potencializada. E esse é o convite da nossa Rede Inner: conviva com as pessoas que fazem essa Presença (com P maiúsculo mesmo) acontecer. Façam parte desse TEMPO conosco! Aqui deixo um “calendário” com eventos e busque maiores informações no site, nas redes, (whatsapp, Instagram, Facebook, site Inner). – Formações: Inner Balance Fundamentals; Broaden (inner sense); Fluid. Também podem fazer as reciclagens. – InnFormação: grupo de estudos pós formação Fundamentals. -Studio Virtual: aulas virtuais com balance ball, inner sense, alívio de dor e gestantes. -Inner Introdutórios- presenciais em BH, RJ, SP, Curitiba (inscrições já abertas). -Seu Guia para Viver Bem: on-line (em andamento). Participação em Cursos/Parcerias: -ReCoNect- programa de estudos on-line sobre puerpério (duração de 1 ano, desde maio 2023) -Applied Biotensegrity in Physiotherapy: curso on-line com pesquisadores, para fisioterapeutas. (acontecendo) -Congresso Mundial de Fáscia Online (setembro 2023) -Workshops Franklin Method Brasil (acontecendo). Mais as lives, convites para aulas em universidades e cursos, canal no Youtube, Innerflix, Podcast Fala Inner e sempre surgem novidades, Inner não para, sempre em movimento. Aí podemos compreender porque o tempo passou tão rápido nesse primeiro semestre de 2023. Estamos retornando no nosso Caderno Corporal e esperamos que continuem aproveitando essa forma de conexão, a leitura! Até a próxima! Monica Kestener

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INNER SENSE

O artista em cada um de nós

Significará tal coisa que não se deve viver sem ideias? Não podemos viver sem ideias. Acaso não se deve respirar? Não podemos viver sem respirar. LÜ DSU   O artista em cada um de nós Queridos leitores,  Chegamos em dezembro de 2022. Está sendo uma alegria dividir este espaço com vocês. Ao longo deste ano somamos trinta e cinco edições sendo muitas delas colaborativas, o que é uma das primícias do método pois acreditamos que um corpo sustenta o outro. Pensamos, refletimos juntos sobre pesquisa, movimento, corpo e autoconhecimento. Esta edição do nosso Caderno Corporal chega até os leitores num clima de festa, de comemoração por tantas coisas boas vivenciadas. Formações, projetos, parcerias, grupos de estudos; encontros valorosos permeados pela troca entre inners, troca do método com profissionais que são referência no mundo do movimento oportunizada pela segunda edição do Congresso Internacional do Inner Balance. Mas, além de celebrarmos e agradecermos como de costume, convidamos você a refletir conosco sobre o artista que existe em cada um de nós, que diariamente se vê desafiado a dar cor e movimento à vida. Certamente você já deve ter ouvido por aí frases como: “viver é uma arte”, “viver é para artistas”, “a vida é uma arte”. Como chegam estas frases prontas no seu íntimo? O que seria ser um artista da vida? Será que todo e qualquer indivíduo pode ser o artista da sua vida? Se a vida é uma arte, como você tem construído a sua? Você a vê como uma tela? Uma instalação? Uma dança/performance? Um grande teatro? Um grafitti daqueles imensos que tomam um quarteirão inteiro? Uma vídeo projeção “vide” time square? E se a vida fosse uma celebração contínua, das pequenas às grandes conquistas fazendo com que a punição, principalmente a mental, não existisse? Ao contrário, que diante de algo que fugisse às expectativas pudéssemos virar uma chave que nos auxiliasse a olhar o “erro” como parte do aprendizado; considerar que a pincelada no ponto inesperado da tela, a torção no pé no dia da apresentação, o “died” do som ou do laptop, sejam artifícios da vida/arte para nos ensinar a lidar com os “inesperados”. Um caminho para o nosso desenvolver, o nosso florir. É compreensível que as incertezas da vida/arte, a urgência do performar, a liquidez e a rarefação das relações nos fragilizam, mas como nós enquanto educadores somáticos reagimos diante das demandas que nos são apresentadas? Temos approach para lidar com as nossas vulnerabilidades? Onde nos apoiamos quando a nossa arte “não deu certo”, quando ela não pôde ser exibida ou não se enquadrou as nossas expectativas e a do outro? Sempre falamos para as pessoas as quais nos buscam como suporte, os nossos alunos/pacientes como se organizarem mental e corporalmente. E nós? O quanto resta do artista propositor quando ele “caí”? Talvez celebrar os desvios, as caídas tenha igual importância se deixamos de pensar a afirmação “a vida é uma obra de arte”, como algo do tipo – como fazer a vida bela e harmoniosa, sensata tal como os pintores, artistas e designers tentam fazer com a sua arte e composições? E sim entender “a vida é uma obra de arte” como um fato, onde existe liberdade e vontade de escolha, características que deixam as suas marcas na forma de vida e confrontam diretamente o poder causal das forças externas. ( BAUMAN, P.72). O poder causal das forças externas está aí para nos lembrar que não somos deuses e que a vida é movimento e que movimento é vida. O movimento permite que o fluxo da vida se mantenha contínuo e não nos deixa esquecer que valores atribuídos às coisas mudam conforme a passagem do tempo e influência de gerações. Segundo BAUMAN, pessoas de gerações passadas pensavam coisas de valor permanente, imperecível, resistente aos caprichos e fluxo do destino. Seguindo os hábitos dos antigos mestres, prepararam suas telas antes de aplicar uma primeira pincelada e se certificaram que a tinta não iria se fragmentar. Já as novas gerações buscam as habilidades de artistas celebrados dos “happenings” e “instalações”, dadas as incertezas do curso que estas artes tomam durante a exposição e interação com o público. (BAUMAN, P. 75).  Em suma, se permitirmos que as coisas que fazemos nos expressem; se lhes damos a nossa assinatura, estamos sendo artistas de nossas vidas. Estamos encontrando o artista em cada um de nós tornando a vida uma celebração contínua passando a não esperar o final do ano para traçar, fazer planos e nos amaldiçoar quando não os alcançamos. Seja você um artista da vida de característica conservadora ou contemporânea; que tal transformar a sua vida num festival de brilho durante todo o ano, não algo somente reservado às festividades?  Boas festas, FELIZ 2022 e boas reflexões!!!  Obrigada por nos acompanhar! Constancia Màtos   *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. * O caderno Corporal terá uma pausa e voltará com novas reflexões em 2023.    Referências consultadas  BAUMAN. Zygmunt – A Arte da Vida. Editora Zahar, Rio de Janeiro. 2008 https://annelisegripp.com.br/approach/article acesso em 05 de dezembro de 2022 https://ijpr.org.br/?jet_download=3608 – Elizabeth Amaral – Vivendo de Corpo e Alma. O segredo da Flor de Ouro, acesso em 05 de dezembro de 2022 https://colunastortas.com.br/modernidade-liquida – Vinicius Siqueira. O que é Modernidade Líquida? acesso em 05 de dezembro de 2022 Post Inner Balance – Estratégias para diminuir as pressões do final do ano – para iniciar agora https://www.instagram.com/p/ClL5iKmrkWA/?igshid=NTdlMDg3MTY, acesso em 05 de dezembro de 2022 Inner no You tube – Gabrieli Maroso – Como acalmar o stress de fim de ano, acesso em 06 de dezembro de 2022 https://youtu.be/OSaNxV-2iLI

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INNER SENSE

Ao encontro de – uma ética amorosa da aprendizagem

“O corpo é um ambiente ativo que constrói novos conhecimentos e comportamentos na interação com o mundo”.  Bruna Petito  AO encontro de – uma ética amorosa da aprendizagem  Ir ao encontro ou ir de encontro? Muitas vezes temos dúvidas quanto ao emprego destas expressões. Ir ao encontro exprime concordância, já a expressão de encontro exprime uma ideia de oposição. Ir ao encontro possibilita a capacidade de afetar e ser afetado; um encontro promove a experiência do existir. Nos encontros podemos observar o espírito da amorosidade, um espírito de avizinhamento, as pessoas ali presentes em sua maior parte estão disponíveis para trocas de saberes, trocas estas que promovem o existir a partir do outro. A 34ª edição do Caderno Corporal chega até vocês leitores num clima de festa, de um grande encontro promovido por nosso 2º Congresso Internacional – Congresso pensado com muito amor para toda rede Inner e para os que acompanham o nosso trabalho. Esta edição foi estruturada com o objetivo de aproximar você das fontes que embasam e influenciam a construção do Método; oportunizando que você participante aprenda com as Escolas que inspiraram a construção do Inner Balance. Os convidados palestrantes são referências mundiais de estudo da fáscia, biotensegridade, educação somática e desenvolvimento humano. Bell Hooks em “Tudo Sobre o Amor, novas perspectivas”, diz que é preciso abraçar uma ética amorosa de cuidado, compromisso, confiança, responsabilidade, respeito e conhecimento em nosso cotidiano; que este cultivar da ética amorosa só é possível a partir do cultivar da consciência. Segundo a autora, o estar consciente permite que examinemos nossas ações criticamente para ver o que é necessário para que possamos dar carinho, ser responsáveis, demonstrar respeito e manifestar disposição de aprender. (Hooks, p.130) Pensando neste grande encontro que será o Congresso, como estar neste lugar não só para obter informações, mas para vivê-las? Como estar aí colocando-se disponível para lidar com o que não se conhece, permitindo-se ser atravessado pelo não saber. O que fazer com o não sei? Muitas vezes nos mantemos em atitudes encapsuladoras que nos impedem de aproveitarmos as oportunidades dos encontros. É aqui que entra a ética amorosa da aprendizagem. A ética amorosa da aprendizagem nos ajuda a despir a arrogância inconsciente do ego, este que muitas vezes destitui a criatividade e a escuta nos fazendo perder o lugar do encontro. A escolha em trazer o amor como um disparador para pensarmos na experiência dos encontros e da aprendizagem rompe com o lugar hierárquico do saber, rompe com a lógica capital do sucesso, da conquista, do saber mais que do outro. A ética amorosa da aprendizagem nos disponibiliza para as vivências, para a experiência que brota vida. Em uma sociedade “que tudo é para ontem” – em que o experienciar vem se perdendo, como podemos dialogar com uma existência que pulsa?  O nosso desejo é que este grande encontro seja para você um lugar de encontro com o aprendizado, consigo mesmo e com o outro. Que o nosso 2º Congresso Internacional te possibilite criar novos mundos.   Te esperamos no Congresso! Obrigada por nos acompanhar! Constancia Màtos *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo.   Vem pro Studio Virtual  https://instagram.com/studio_innerbalance?igshid=NTdlMDg3MTY=   Referências consultadas  HOOKS Bell. Tudo sobre o amor – novas perspectivas. 1a edição. São Paulo: Elefante, 2021. EMICIDA. É tudo para ontem. https://youtu.be/qbQC60p5eZk

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Navegante ou náufrago?

“Devemos ao mundo a contribuição de nossos melhores eus”                                                                                              James Hollis   Navegante ou Náufrago?  Certamente você já se deteve, sentiu e percebeu a magnitude do nosso sistema corporal como um todo ao se dirigir para onde o pensamento nos move. Isso recorda um exercício muito usado na preparação corporal de atores, que seria facilmente aplicável na sala de trabalho com os alunos/pacientes, se disponibilizamos de um espaço amplo. O exercício tinha como objetivo o desenvolvimento do foco, direção/energia e consistia na escolha primeiramente a partir do olhar de um ponto qualquer da sala; ao dirigir o olhar para o ponto escolhido o ator/atriz deveria alcançar, atravessar o percurso com o seu corpo até o ponto eleito, preferencialmente sem titubear. Muitas vezes perdemos o leme do nosso barco em virtude da enxurrada de informações que recebemos cotidianamente e pior; sem nos darmos conta de que isto está acontecendo. A 34ª edição do Caderno Corporal, é um convite para refletirmos acerca de como anda o nosso critério de seleção diante de tantas ofertas que chegam diariamente no email e no feed das redes sociais. Faz sentido o investimento de tempo e energia? Tem o seu barco uma direção, ou está ele ao sabor dos ventos e das marés? Você tem investido energia estudando determinado assunto porque todo mundo tá indo por determinado caminho, ou pelo que te move? O convite para se pensar a relevância das escolhas não é novidade por aqui, mas sempre é bom relembrar sobre o quão importante é estarmos alinhados com o que realmente é importante para nós em termos de estudo e na vida pessoal também. Quando há verdade nas escolhas não desistimos diante da primeira tempestade que se apresenta, nossa vontade nos carrega de ânimo, fazendo com que o conhecimento da técnica ande junto com o conhecimento interno (intuição) auxiliando-nos a movimentar o barco a fim de que este siga o rumo desejado. Estamos há alguns dias do segundo Congresso Internacional do Método Inner Balance, congresso este que graças a curadoria da Bruna Petito, Guilherme e TC Pilates, oportuniza estarmos diante de profissionais maravilhosos, cada qual com um olhar singular sobre o movimento que é o que torna ricas as pesquisas pessoais. Será um privilégio poder acompanhá-los e a partir disto permitir-se dar início, revisitar (se este for um desejo/vontade) a própria pesquisa. Novamente aproximo a oportunidade de estar ouvindo estes profissionais à metáfora escolhida: para alguns o congresso será uma ocasião para dar partida no barco, remover uma teimosa âncora, para outros refazer a rota, e ou pegar firme o leme. Como provocação ficam as seguintes questões: neste momento: você tem despendido tempo de existência em estudos que realmente importam? No mar da vida profissional quem é você, Navegante ou Náufrago? É possível desenvolver habilidades para navegar em águas tempestuosas e tranquilas? Vamos juntos? *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota:  Participe do nosso Congresso:  https://paginas.email/5f902e0/congresso-internacional-inner-2022/congresso-internacional-inner-balance-2022 *Mova com a gente: https://instagram.com/studio_innerbalance?igshid=MDE2OWE1N2Q= *Acompanhe o nosso podcast “Fala Inner” com a Monica Kestener Até a próxima edição. Constância Matos   Referências consultadas  HOLLIS, James. Nesta Jornada que chamamos Vida – Vivendo as questões. São Paulo: Paulus, 2004.

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A melhor receita

Qual a melhor receita?  “Todo o conhecimento humano começou com intuições, passou daí aos conceitos e terminou com ideias.”                Immanuel Kant           Você gosta de bolo? É bem difícil encontrar uma pessoa que não goste, acompanhado de um café, torna-se irresistível, não é mesmo? Pode ser que só de ter lido a palavra bolo isto tenha trazido à memória uma receita de família; da sua avó, mãe, tia, etc. Todos conhecemos os ingredientes básicos para um bolo simples: farinha, fermento, “açúcar, manteiga, leite e ovos”(quando não se tem nenhuma restrição a estes ingredientes ou ideal político). E a gente sabe que por mais que tenhamos uma receita/afeto e todos os ingredientes à mão o bolo nunca vai sair igual – ainda bem porque se assim o fosse, ele não seria tão especial. Também sabemos que à receita de um bolo simples pode-se agregar outros ingredientes e transformá-lo em por exemplo, um delicioso bolo de cenoura e chocolate (o preferido da criadora do método, a Bru Petito), em um bolo de laranja ou ainda abacaxi com coco e o que mais a criatividade e a imaginação ousar. Queria mesmo chegar nas palavras imaginação e criatividade algo que todos nós temos e que devido ao frenético estilo de vida contemporâneo vai se esvaindo em razão da falta de tempo, e quando nos damos conta estamos dando preferência a levar a dinâmica de “receitas de bolo” para o nosso trabalho. Soma-se a isto a educação que recebemos de reprodução, do copia e cola. Sabemos o quanto é desafiador sair deste círculo vicioso, é um exercício diário e muitas vezes falhamos. A 33ª edição do Caderno convida o leitor a refletir sobre esta organização pessoal para viver de forma saudável o aprendizado em um mundo onde diariamente temos acesso a tantas informações e referências fazendo com que preservar o que é intrínseco do nosso ser não seja uma tarefa fácil.  Quando falamos de Educação Somática estamos justamente falando de uma pesquisa pessoal, de um conhecimento de si-mesmo; estamos a investigar um corpo “que não é só nosso”, um corpo atravessado por obrigações, metas, um corpo que tem uma história, um corpo que precisa lidar com as intempéries relacionais e da natureza propriamente dita. O Inner Balance veio ao mundo a fim de propor um novo olhar para os “moventes”, para o movimento e para o profissional Intrutor/facilitador. Podemos dizer que o Inner tem como Filosofia a conquista de uma unidade, um espaço para criar uma atmosfera de ressonância entre o facilitador – o aprendizado – o aluno/paciente – e o ambiente. O Método é um incentivador, possibilita que aos poucos o instrutor/facilitador e aluno/paciente se desprendam do modo operatório “receita de bolo” transformando a maneira de estudar e/ do próprio mover o corpo no mundo. De acordo com Jung o enfrentamento de um cotidiano que se apresenta com todas as suas demandas, com todas as suas exigências de dedicação, paciência, perseverança e sacrifícios, humildemente, sem visar o aplauso, sem grandes gestos heróicos é o desafio invisível mesmo em tempos de grande exposição nas redes sociais de todos nós seres viventes. Encontrar a nossa verdade, a nossa forma de trabalhar e estar no mundo é uma determinante para evitar a distração do si-mesmo. É fácil, fácil ficar fantasiando sobre aquilo que a gente não é, sobre o que a gente não tem. Difícil mesmo apesar de ser mais simples é ser aquilo que já somos. Sempre estamos olhando a grama do vizinho Se você é bom tecnicamente, exalte isto, se você é bom para compartilhar seus conhecimentos ministrando curso para formação de outros profissionais faça isto. Se você não descobriu ainda seu lugar, tudo bem. Cada pessoa tem seu tempo, tem a sua própria maneira de caminhar. Evite a comparação com o outro e coloque a sua luz, a sua verdade no seu trabalho. Você tem a opção de escolher o que você é e entender que cada pessoa foi criada para uma determinada coisa, que tem uma forma de se expressar e de compartilhar o conhecimento, o aprendizado. Lembre-se que o universo foi feito para todos. Quanto menos justificativa você der para sua existência, quanto menos você se comparar com o outro, menos importância a receita de bolo terá para a sua vida. Você vai “fazer o seu melhor bolo” a partir de uma receita criada por você. No começo será um gostoso bolo simples, mas que terá todo o significado do mundo. E assim que ganhar confiança passará a elaborar receitas muito mais complexas, mas não se esqueça, que o simples também é bom e que seguir firme mesmo depois de umas primeiras receitas terem desandado é uma forma de perseverar no propósito de deixar a sua contribuição para a história do outro e do mundo.   *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota:  Participe do nosso Congresso:  https://paginas.email/5f902e0/congresso-internacional-inner-2022/congresso-internacional-inner-balance-2022 *Mova com a gente: https://instagram.com/studio_innerbalance?igshid=MDE2OWE1N2Q= *Acompanhe o nosso podcast “Fala Inner” com a Monica Kestener * Acompanhe a cozinhaafetuosa da Inner de base Gi Marqueli  Instagram Cozinha Afetos Até a próxima edição! Constância Matos   Referências consultadas  BOLSANELLO Débora. Em Pleno Corpo. Educação Somática, Movimento e Saúde. Curitiba: Juruá, 2009.  JUNG, Carl G. O Eu e o Inconsciente. Coleção Obra Completa de C. G. Jung. Vol. 7/2. Trad. Dora Ferreira da Silva. 21 ed. – Petrópolis: Vozes, 2008. STEIN Murray. O Mapa da Alma – Uma Introdução. São Paulo: Cultrix, 5ª edição, 2006.  Sobre Si-Mesmo – disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/9835/9835_5.PDF

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A Sincronicidade Corpo e Mente

A Sincronicidade Corpo e Mente   É ilusório pensar que nossas percepções são diretas e precisas; o cérebro não se limita a receber dados brutos que provêm dos sentidos em vez disso, cada sistema sensorial precisa antes analisar, desconstruir para depois reestruturar as informações brutas que chegam de acordo com as conexões e regras intrínsecas.       Kendall Você já parou para refletir sobre o motivo que o faz sair de casa para uma rotina de exercícios? Ou sobre o que o impede de buscar uma vida mais ativa? Grande parte das pessoas buscam exercitar o corpo porque o médico disse que é preciso, pela forma estética ou depois que o corpo passa por um adoecimento e nunca pelo prazer de movimentar o corpo e promover sua autorregulação. Cada vez mais, estudos comprovam que buscar atividades objetivando somente resultados desfavorece as conexões dos sistemas que promovem a autorregulação do corpo. Isso acontece porque no lugar do sentir e perceber o corpo os seus pensamentos estão ocupados com preocupações, anseios/desejos, o que impede a escuta ativa dos sinais do seu corpo que pode estar tentando por exemplo, falar para você perceber a respiração enquanto se movimenta, que você sinta a relação do corpo e o ambiente ou ainda atentar para os indicativos de que já treinou o suficiente hoje e que você precisa dar tempo para recuperar os substratos necessários para manter seu corpo produzindo movimento; ou seja, mente e corpo precisam estar conectados, um na escuta do outro. Parece um pouco complexo entender este diálogo corpo e mente não é verdade? Confidencio a vocês que ao pensar em trazer este assunto para a 32ª edição do nosso caderno corporal pareceu-me algo menos complexo, mas descobri um caminho não tão fácil assim e ao mesmo tempo apaixonante. E para falar de como é processado esta relação de maneira a simplificar o entendimento encontrei interessante trazer a abordagem da Dra Lia Romano que enfatiza a insustentabilidade da dicotomia entre o somático e o psíquico, principalmente quando pensamos nos estudos atuais da Biologia, Neurociência e Movimento: segundo Lia, polaridades matéria/energia, cérebro/mente, neurogênese/psicogênese, corpo/espírito são aspectos do mesmo fenômeno, são palavras diferentes que se referem a mesma coisa. (Andreasen apud Romano, p. 165, 2022).  Lia nos recorda ainda que o trabalho conjunto dos sistemas nervoso, endócrino e sistema imunológico são essenciais para a manutenção do equilíbrio homeostático do organismo frente a um mundo em constante movimento. Você sabia que um dos primeiros sinais de que o corpo não está bem acontece no campo energético e isto acontece graças à capacidade da sensopercepção? Temos espalhados nos tecidos corporais receptores responsáveis em captar estímulos internos (viscero receptores e receptores para propriocepção) e externos (somatorreceptores) e os enviar para o Sistema Nervoso Central; processo que acontece mediante uma comunicação das vias aferentes, que utilizam a medula espinhal até a conexão com o tálamo, que se comunica com partes do encéfalo (córtex pré – frontal, córtex motor, córtex sensorial), regiões estas ligadas aos processos emocionais e da memória. Os neurônios centrais do córtex, subcortex recebem também estímulo do tálamo pelas vias aferentes provendo diferentes respostas:  Motora: que promove a relação do sujeito com o meio através do movimento/volição;.  visceral: mantém o equilíbrio do organismo através do SNA e do eixo HHA      (adaptando o organismo a situações entendidas como estressantes);  Sensorial: resposta às sensopercepções resultantes dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato/dor, pressão, temperatura) e também na percepção da intuição; Racional: relacionada a sentimento, consciência, pensamento, memória, cognição e raciocínio;  Emocional: emoções e memórias afetivas. Vimos até aqui um apanhado de informações sobre os processos que precisam acontecer para que haja a conexão corpo e mente, mas qual a importância de conhecer estes processos? No Innerbalance, entender o funcionamento do corpo e mente nos é caro, pois acreditamos que as emoções estão diretamente vinculadas a neuroplasticidade cerebral e a autorregulação. Os trabalhos atuais sobre plasticidade cerebral mostram que a exposição às influências ambientais (psicológicas, biológicas, químicas e físicas) causam mudança no cérebro. Acreditamos que o cérebro pode mudar suas estruturas e sua química melhorando a forma do sujeito se organizar corporalmente no mundo pensando não só em funcionalidade das estruturas corporais, mas também nas respostas psíquicas e emocionais de forma a organizar-se e adaptar-se em um mundo que muda a todo instante. Acreditamos que a condução verbal precisa e gentil, o uso das imagens intuitivas levem o sujeito a organizar suas estruturas corporais, melhorando o quadro de dor e desconforto gerando bem estar e consequentemente uma melhor relação com suas emoções, com o ambiente e com o outro – conquista da Autorregulação. Sendo assim fica o convite de, ao invés de praticar exercícios porque te disseram que é bom ou para conquistar uma forma corporal, fazer deste um momento de conexão entre você e o seu corpo,. que você veja este momento como uma oportunidade de escutar, compreender e preencher-se de você. Afinal de contas é ele que te leva para o movimento da vida. *A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota:  *Mova com a gente: https://mailchi.mp/dedf90ae38ef/studioinnerbalance *Acompanhe o nosso podcast “Fala Inner” com Monica Kestener https://open.spotify.com/episode/0AZgL7uUk0zbJBIg8Xu5N9?si=w7G8FxvGSV2iQwJG_8iD4A Até a próxima edição! Constância Matos   Referências consultadas MAGALDI FILHO, W. e outros autores. Fundamentos da Psicologia Analítica. São Paulo. Ed Eleva Cultural, 2022.  https://www.instagram.com/p/CjiCKjMLbhg/?utm_source=ig_web_copy_link

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Isto é coisa da sua cabeça

Às vezes, as reações corporais são mais drásticas do que o rubor breve ou uma lágrima ocasional. Suzanne O´ Sullivan Muito possivelmente você já ouviu queixas e relatos de dores lancinantes em pessoas que foram viradas do avesso e têm seus exames clínicos classificados como normais. Chegamos à 31ª edição da publicação quinzenal do nosso caderno corporal e mais uma vez vamos trazer o assunto DOR. Nesta edição não vamos tratar de falar sobre os tipos de dores existentes, mas sim pegar a trama tecida pelo convidado do Fala Inner, o Fisioterapeuta Lisandro Ceci, a fim de trazer um entendimento sobre o fato de que algumas pessoas têm seus exames clínicos normais e no entanto sua saúde física e emocional se encontra abalada por não encontrarem uma causa aparente para suas dores. Também é de nosso interesse fazer uma reflexão sobre como nós profissionais do movimento através de nosso trabalho podemos acolher e ajudar estes indivíduos desacreditados que um dia poderão viver mais felizes e saudáveis corporalmente, mesmo tendo em algum momento ouvido como diagnóstico a frase: “ISTO É COISA DA SUA CABEÇA” e hoje a têm impressa na mente e corpo. E realmente quando a dor não acontece devido a uma lesão a “coisa” toda pode ser da nossa cabeça, pois se trata de uma desordem química do sistema nervoso.  Keleman em “O corpo diz sua mente”, fala do poder do nosso sistema nervoso de conter nossa expressão, o nosso estado vibratório e de intensificar ou dissipar uma dor. Segundo Keleman, um corpo que se reconhece parte do ambiente tem a capacidade autorreguladora como aliada nos processos álgicos. Assim como Keleman, o Fisioterapeuta Lisandro acredita que a autopercepção, que é a capacidade de organizar a nossa paisagem interna e externa, potencializa o diálogo corpo/mente diminuindo as chances do sistema nervoso fazer uma interpretação perceptiva equivocada, evitando desta forma que ele pegue algo pequeno e o torne grande. Esta interpretação errônea de que o sistema nervoso tende a fazer, acontece em função da maioria das dores serem percebidas pelas mesmas áreas que processam as emoções. Algo que precisa ser lembrado é que os aspectos emocionais como: ansiedade, depressão, tensão e estresse também influenciam e podem acentuar os quadros álgicos. Talvez a primeira atitude de um profissional para com casos onde não se é encontrada uma lesão que justifique a magnitude de uma dor seja escutar o aluno/paciente. É muito comum nas salas de atendimento e consultórios a ausência de uma escuta ativa e sensível pautada numa boa comunicação, numa ressonância entre profissional e aluno/paciente. Quando a presença corporal de ambos entra em ressonância acontece a reciprocidade, este encontro entre dois corpos facilita o entendimento do aluno/paciente, da percepção do próprio corpo, do corpo do outro e do ambiente, facilitando o experienciar de si mesmo.  Outro fator corriqueiro quando não se encontra uma causa para as dores é classificá-las como um distúrbio “psicossomático”. Devemos tomar certo cuidado ao utilizarmos termos que muitas vezes agravam ainda mais o estado de ansiedade do indivíduo. Existe uma grande confusão conceitual deste termo, tanto na área da medicina quanto na área da psicologia. A conceituação moderna influenciada por Helen Dunbar e Jung é o que mais se aproxima dos estudos do corpo quando se fala em Educação Somática; é o entendimento de que não existe uma distinção entre mente e corpo, ou seja, é muito íntimo o inter-relacionamento dos traços psíquicos e corporais. Os transtornos psicossomáticos realmente existem e são considerados como doenças nas quais uma pessoa sofre com sintomas físicos expressivos causadores de sofrimento e deficiências reais não detectados em exames físicos ou clínicos. Estes distúrbios são singulares, não obedecem regras e podem afetar qualquer parte do corpo. Podem manifestar-se inclusive de forma agressiva como paralisia, convulsões, doenças autoimunes entre outras. Não vamos nos estender aqui pois este será um tema a ser abordado proximamente.  Deixamos aqui algumas perguntas importantes para você refletir acerca do seu papel enquanto profissional do movimento:  Você crê que seja pertinente dar corpo à educação terapêutica; mostrar para os alunos/pacientes que aprender sobre as coisas pertinentes ao funcionamento do organismo repercute em um estado de conscientização deste corpo no mundo/corpo vivo? Quanto ao entendimento do corpo vivo, realmente ele pode corroborar para a autorregulação e amenizar estados álgicos não complexos? Você tem respeitado a singularidade e subjetividade do seu aluno/paciente, lembrando que cada pessoa tem reações diferentes diante de um quadro doloroso? Tem considerado o estado emocional desta pessoa que chega buscando ajuda?  Vamos pensar sobre isto?  A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota: Acompanhe o nosso podcast: Fala Inner com a Inner Monica Kestener Beijos e até a próxima edição.  Constância Matos. Referências consultadas  Keleman Stanley. O corpo diz sua mente. Summus Editorial – 2ª edição. São Paulo, 1996. O´ Sullivan Suzanne. Isso é coisa da sua cabeça. Histórias verdadeiras sobre doenças imaginárias. Ed Best Seller – 1ª edição. Rio de Janeiro, 2016 Toda Dor é uma percepção cerebral e toda dor crônica envolve neuropsiquiatria.  https://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/arquivos/4503 Post Inner Balance – Giovanna Marqueli https://www.instagram.com/reel/Ci0tCY4jnDC/?igshid=MDE2OWE1N2Q=

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Um corpo por aí!

“O esquema corporal é a imagem tridimensional que todos têm de si mesmos.” Schilder                                                                                                           Um corpo por aí Como sabemos que temos um corpo? Construímos um contato consciente com o corpo a partir de uma escuta interna e externa. A possibilidade da relação com o outro e com o ambiente estimula a sensibilidade proprioceptiva do corpo, (Bruna Petito). Chegamos à 30ª edição do caderno corporal e convidamos você a questionar como o corpo contemporâneo vem sendo tratado e qual a importância de se ter uma boa relação, um entendimento de que corpo é este e como ele se organiza espacialmente – no sentido de reconhecer e alcançar uma saúde física e emocional equilibrada. Qual a importância da forma? O que seria sinônimo de “corpo adequado” – que corpos são estes “por aí” e qual seria o nosso papel enquanto profissionais do movimento somático de auxiliar o aluno/paciente a se relacionar bem com o seu próprio corpo?  É sabido que um entendimento distorcido de nossa imagem corporal leva a transtornos psicológicos e alimentares que afetam seriamente a vida do indivíduo. Afinal de contas, o que é imagem corporal e qual a sua importância para o indivíduo? Existe uma diferença entre imagem e esquema corporal?  Segundo a Dra. Bianca Thurm, convidada do nosso último Fala Inner, a imagem corporal é a maneira como o indivíduo enxerga o próprio corpo e como ele acredita que os outros o veem. A história da imagem corporal iniciou-se no século XVI, na França, com o médico e cirurgião Ambroise Paré, mas foi na escola britânica que os estudos sobre imagem corporal aprofundaram-se, tanto nos aspectos neurológicos quanto fisiológicos e psicológicos. Henry Head, neurologista do London Hospital, em suas pesquisas chegou na teoria de que o indivíduo constrói um modelo ou figura de si mesmo que constitui um padrão contra os julgamentos da postura e dos movimentos corporais: a isto ele chamou esquema Corporal. Posteriormente, uma maior contribuição foi dada por Paul Schilder, que utilizou de sua experiência na neurologia, psicologia e psiquiatria, passando a considerar a imagem corporal como um fenômeno multifacetado, não só uma construção cognitiva — mas também uma reflexão dos desejos, atitudes emocionais e interação com os outros. Desta forma, a ideia de imagem do corpo para além dos fatores psicológicos e patológicos, encontra nos eventos diários uma contribuição para sua construção, podendo-se entender como fatores diários a relação do sujeito com o outro, com a mídia e com o ambiente em que ele está inserido. Segundo Schilder as sensações corporais envolvidas no desenvolvimento da Imagem Corporal não estão restritas às impressões táteis, térmicas e dolorosas, mas também àquelas provenientes de músculos e seus invólucros, tendões, inervações musculares e vísceras. A partir de uma experiência sensorial do mundo e de si o corpo adota uma nova postura ou movimento que permite à atividade cortical criar uma relação com cada novo grupo de sensações impressas pela alteração da plasticidade. (Schilder apud. Scatolin Guilherme) Alguns autores acreditam que existe diferença entre esquema corporal e imagem corporal. Cabe ao leitor tirar suas próprias conclusões porque elas vão além da ciência. Para alguns autores por exemplo, o esquema corporal tem a conotação de uma estrutura neuromotora que permite ao indivíduo estar consciente do seu próprio corpo anatômico, ajustando-o às solicitações de situações novas e desenvolvendo ações de forma adequada afirmando-se que a imagem do corpo constrói-se sobre o esquema corporal. Outros discordam dizendo que a ambigüidade introduzida pela dupla terminologia corrobora para alimentar a impressão de que existe um corpo neurológico e um corpo espiritual tendo que se fazer esforço para unir os dois corpos. Nós educadores somáticos trabalhamos com a ideia do corpo uno; assim sendo pode parecer paradoxal a distinção entre esquema corporal e imagem corporal, pensar em um conceito único auxilia na aproximação do corpo soma, termo cunhado por Thomas Hanna, não importando qual deles usar. Importa-nos um despertar corporal dos nossos alunos para que reconheçam as suas possibilidades e potencialidades a fim de desenvolverem uma autonomia sobre este “corpo por aí”. No Inner aprendemos que quando reconhecemos a verdade do nosso corpo emos a sua noção real e vivemos melhor com nós mesmos.  A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Nota: Para saber mais sobre distorção da imagem corporal acesse o nosso podcast Fala Inner  Até a próxima edição.  Constância Matos.   Referências consultadas  A imagem do corpo: as energias construtivas da psique  https://revistas.pucsp.br/psicorevista/article/download/13586/10093/32702 Distorção da Imagem Corporal https://open.spotify.com/episode/2ImErMVHO8J91FRTfOtNCA?si=h3epWbEgRyiSqoi2uzIzGw ttps://www.scielo.br/j/pe/a/BdVkNyQDhTDqwsskWSR7Mtz/?format=pdf&lang=pt Educação Somática: seus princípios e possíveis desdobramentos  http://www.revistarepertorioteatroedanca.tea.ufba.br/13/arq_pdf/educacaosomatica.pdf Imagem corporal na perspectiva de Paul Schilder. Contribuições para trabalhos corporais nas áreas de Educação Física, dança e Pedagogia. https://efdeportes.com/efd68/schilder.htm POST innerbalance_bp 22 de junho de 2022 https://www.instagram.com/reel/CfH73GmjTMc/?igshid=YmMyMTA2M2Y=  O corpo cênico: movimento e imagem corporal. https://movimentoeimagemcorporal.wordpress.com/2013/06/05/imagem-corporal-a-descoberta-de-si-mesmo/

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Jazz, Rock, Funk ou Forró – a música do corpo

A música do corpo “A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia”.  Ludwig van Beethoven  A Educação Somática com gentileza e criatividade tem evidenciado o funcionamento orquestrado do corpo humano. Quando pensamos numa orquestra logo imaginamos a complexidade na organização de músicos e instrumentos para tocar uma música. E o que realmente acontece é o encontro com o ritmo, trabalho resultante de um conjunto harmonioso que faz a música chegar de forma agradável aos nossos ouvidos. Nesta 29ª edição do caderno corporal convidamos vocês a ouvir, perceber e sentir a música do corpo.  Utilizei aqui a metáfora da orquestra para a chamada à percepção do ritmo do corpo, a consciência e compreensão da existência de uma paisagem interna e externa, um diálogo ininterrupto do dentro/fora do imenso conglomerado de células presentes no corpo que se organizam em comunidades dando forma aos diferentes tecidos que compõem os sistemas corporais que fazem pulsar a vida, tal qual a música faz os instrumentos vivos. Este amontoado de células juntas colaboram para o bem comum do Self, do comportamento consciente e inconsciente do corpo e da mente. (Cohen, p. 283) O Inner Balance, desde sua concepção tem fundamentado a sua pesquisa na experiência do sentir (princípio cerne do método). Acreditamos no corpo em movimento como veículo para a aprendizagem. Viver com o corpo; as experiências da vida são atravessamentos que somente são possíveis com o corpo. É compromisso do método a busca pelo aprofundamento e estudos a fim de tecer de maneira consistente a correlação do saber científico com o saber dado pela experiência do sentir e perceber os ritmos, o funcionamento deste corpo dentro e fora e a sua extensão para o mundo.  Exploração – Olhando para fora e para dentro Convido você no lugar que se encontra agora a sentir e perceber o seu ritmo interno e externo. Se sentado observe seu posicionamento sobre este assento, este corpo tem balanço? se de pé, como está este apoio? Tem movimento? Perceba como está sua respiração neste momento, esta que faz fronteira entre o dentro (inspiração) e o fora (expiração). A partir da imagem da água viva permita-se observar os movimentos dos órgãos, dos fluidos e das vísceras. Neste momento você consegue perceber algum movimento peristáltico? Como está a bexiga, cheia/vazia? Como você sente o seu coração? E seus pensamentos? Você está na leitura e se permitindo experimentar? Qual a sensação da sua pele sobre a sua roupa, a pele que é a sua camada mais externa; que te define como indivíduo?. Ela está quente/fria? Você é capaz de perceber este ritmo interior e exterior que faz pulsar a vida? Qual o seu contorno? Olhe para dentro a partir deste revestimento externo, adentrando as camadas mais profundas e se organize de forma a trazer a atenção para o quanto o ambiente externo se relaciona com o seu interno.  Desfrute da consciência de perceber-se transitando por sua paisagem interna e externa. A consciência, a inteireza perceptiva do nosso ritmo nos permite compreender o que ocorre dentro de nós e dentro do outro. Primeiro o contato com o próprio corpo, escutar a nossa própria música; processo único que auxilia a co-regulação com o corpo, com a música do outro e a música do ambiente. Clássica, Rock, MPB, Funk, Forró, etc. Qual é a música que seu corpo toca no dia de hoje?  A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Até a próxima edição.    Referências consultadas COHEN. Bonnie. Sentir, Perceber e Agir. Educação Somática pelo Método Body – Mind Centering. Edições Sesc. São Paulo, 2015 Maria Fux – TEDxRiodelaPlata – A vida é movimento https://youtu.be/dyLvm7yXjPo Post Inner Balance & Talita Gentil – 24 de agosto de 2022 – Já pensou que tudo que sentimos são sinais do nosso corpo?https://docs.google.com/document/d/16S_z5ftIIl0Neo1oml2DWcppJAmVwEih-JFLjrle9Rs/edit?usp=sharing Beethoven 9 – Chicago Symphony Orchestra – Riccardo Muti – https://youtu.be/rOjHhS5MtvA Maria – Maria pela orquestra Ouro Preto https://youtu.be/FyeweHxqZng Orquestra Sinfônica de Jales – Osjal – Funk https://youtu.be/LVvvG_exMog Tom Zé – xique-xique – forró orquestra – instrumental Sesc Brasil https://youtu.be/7dfgCiGQ-7w  

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Um mergulho na subjetividade

“A grandeza do homem consiste em que ele é uma ponte e não um fim”. Friedrich Nietzsche CADERNO CORPORAL UM MERGULHO NA SUBJETIVIDADE Olá Inners, bem vindos à nossa 27ª edição do Caderno Corporal onde iremos dar sequência e nos permitiremos ser atravessados pelos elementos que constituem a pesquisa científica, assunto que começamos a abordar na 25ª edição do nosso caderno. Certamente vocês perceberam que quando se fala em pesquisa científica um mundo de possibilidades se apresenta diante de nós. Os convidamos a ver este mundo de possibilidades como provocações, como um convite para mergulhar em um lugar inseparável da pesquisa: a subjetividade da pesquisa, assunto que acreditamos pertinentes para nós enquanto instrutores de uma rede onde residem múltiplos panoramas, múltiplos olhares. No dicionário a palavra M.E.R.G.U.L.H.A.R: quando bitransitivo é fazer entrar, estar imerso, parcial ou totalmente em algo, na água ou um líquido qualquer. Quando intransitivo e pronominal significa afundar-se inteiramente em água, mas a palavra M.E.R.G.U.L.H.A.R pode também significar: aprofundar-se, deixar-se entrar, afundar e submergir. A potência metafórica de um mergulho está relacionada a uma curiosidade e a coragem de se realizar o movimento. No M.E.R.G.U.L.H.A.R, por outro lado, existe a possibilidade de somente submergir que é diferente, já que o submergir pode ser parcial ou total, mesmo total pode não ter a característica de inteiro, completo.  Adicionemos a palavra M.E.R.G.U.L.H.O, à palavra S.U.B.J.E.T.I.V.I.D.A.D.E. e assim começamos de fato o desenvolvimento do que viemos abordar neste caderno O M.E.R.G.U.L.H.O na subjetividade, que é entendido como o espaço íntimo do indivíduo, ou seja, como ele “instala” a sua opinião ao que é dito com o qual ele se relaciona com o mundo. Como embasamento para esta reflexão introduzimos aqui a Teoria da Subjetividade de González Rey – Epistemologia Qualitativa construtiva-interpretativa, que buscou compreender a subjetividade reconhecendo o valor da história e da cultura, possibilitando, com isso, olhar os processos singulares do indivíduo, modelo que rompe com a enraizada investigação empírica(estímulo-resposta) e quantitativa. Quando se trata de pesquisas com seres humanos, devemos tratar o “sujeito” e não o “objeto” o que torna determinante uma escuta e observação sensível considerando os aspectos sociais, ambientais e antropológicos. Outra questão que deve ser levada em conta de acordo com González Rey é o afeto. Segundo o pesquisador, experiências afetivas do sujeito estão diretamente conectadas à subjetividade. As experiências afetivas revelam como os indivíduos são afetados pelos acontecimentos, como eles estabelecem e constroem significados e sentidos através das vivências enquanto sujeitos no mundo.  Esta dimensão afetiva é um dos combustíveis do método no processo de investigação dos instrutores e destes com seus alunos/pacientes.  No Inner a dimensão afetiva está tão presente quanto a dimensão cognitiva motora. A compreensão da indissociabilidade da afetividade nas práticas nos permite compreender que esta dimensão é um fator determinante da relação sujeito/mundo. O Inner acredita que a afetividade, as emoções, são fatores primordiais para estabelecer uma relação de aproximação entre sujeito e experiência da prática/sujeito pesquisador e objeto da pesquisa. O Termo M.E.R.G.U.L.H.O que trouxemos tem o objetivo de nos lembrar que somos afeto e somos afetados, e que seria interessante fazer o exercício de observarmos a fim de um encontro com o que nos dá vontade de investigar com profundidade. Lembrando que a pesquisa não é somente esta de submissão acadêmica, talvez este não seja um lugar que você deseja estar e tudo bem. A investigação, o M.E.R.G.U.L.H.O pode ser diário, como por exemplo um olhar com mais gentileza de você para consigo mesmo, para com o seu aluno/paciente e não menos importante do aluno com seu corpo.  Consideramos o olhar sensível para si mesmo, o autoconhecimento a partir dos movimentos primordiais para o estabelecimento das relações do sujeito com a sua autonomia, com a natureza e seu self.  A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecem enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Até a próxima edição. Referências consultadas González-Rey, F. & Mitjánz, A. (2015). Una epistemología para el estudio de la subjetividad: Sus implicaciones metodológicas. Psicoperspectivas.  10.5027/PSICOPERSPECTIVAS-VOL15- ISSUE1-FULLTEXT-667 HARK Helmut. Léxico dos Conceitos Junguianos Fundamentais. A partir dos originais de  C .G. Jung. edições Loyola, São Paulo. 1988 Rossato Maristela e Martínez Albertina. Desenvolvimento da subjetividade: análise de histórias de superação das dificuldades de aprendizagem – Universidade de Brasília – DF https://www.scielo.br/j/pee/a/jrCGPf3rGx5swWqmYf8hsdt/?format=pdf&lang=pt#:~:text=A%20Teoria%20da%20Subjetividade%20de,estudante%20em%20seus%20processos%20singulares.    

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Subjetividade – uma âncora passível de encontrar vários mares

“ Uma parte de subjetividade jamais estará ausente de qualquer pesquisa, até mesmo em ciências naturais J. Feldman Olá, sejam muito bem vindos! Nesta 26ª edição continuaremos a abordar o tema da pesquisa no campo prático-teórico. Na edição anterior trouxemos uma reflexão sobre o olhar investigativo, do pesquisador que existe em nós. A epistemologia da ciência, a ciência da ciência, a filosofia da ciência, nos levam por caminhos muito abrangentes e ao mesmo tempo fascinantes. É por meio dela que podemos traçar modelos de pesquisa científica e suas “validações”. Hoje trazemos aqui um processo de construção da informação; a pesquisa qualitativa e a subjetividade. A Teoria da Subjetividade, uma de nossas referências para construção deste texto nos mostra este lugar (do subjetivo) fundamental para o sujeito-terapeuta que pesquisa. É muito interessante e rico observar a partir de uma linha do tempo um percurso trilhado seja ele nosso, ou de um método como o Inner Balance que já conta com 20 anos de existência. O Inner Balance está em franca expansão e desde a sua concepção, o pensamento de que a prática, a teoria e a pesquisa não estão separadas de si e do sujeito que investiga o corpo-ambiente é o seu norte. Sob a luz de um pesquisador do corpo, do qual encontramos um pensamento aproximado, convidamos você para mais um caderno corporal. Danis Bois em uma de suas teses, defende que não há pesquisa sem a subjetividade do sujeito pesquisador. Ele fala de um paradigma que ainda nos dias de hoje persiste na academia; a de que o sujeito pesquisador deve abster-se de sua subjetividade. Para este isto seria um non-sense e diz ainda que isto seria afastar o pesquisador de sua própria humanidade, seria perder a riqueza que a subjetividade daria a própria pesquisa. Ao invés de afastar a subjetividade, o interessante por segundo Bois seria lançar mão, servir-se de uma “neutralidade ativa” denominada por ele como “o deixar vir a si”. Trata-se de, por mais envolvido que se esteja em uma pesquisa, o sujeito pesquisador sempre estará permeado pela presença de si, do outro corpo, do ambiente, permitindo que parte da consciência esteja aberta para a experiência do que se produzirá durante a investigação.(p.164). O pensamento da metodologia se aproxima do pensamento Bois no sentido de que o Inner Balance entende a subjetividade do sujeito pesquisador como uma âncora, passível de ser lançada em diferentes mares, mas algo importante para o processo de pesquisa do sujeito dentro do vasto campo disponibilizado pelo método. Nomeado terapeuta-pesquisador, este profissional, hoje muito mais aceito no campo da pesquisa científica, apesar de ser considerado paradoxal, está em campo e também na pesquisa. Talvez haja uma maior resistência em áreas mais tradicionais, no entanto, o avanço de estudos e pesquisa nas áreas da neurofisiologia e neurociência, neurofilosofia e neurofenomenologia, tem trazido um novo olhar sobre o terapeuta-pesquisador. Nós, profissionais do movimento, devemos aproveitar este momento de abertura que escancara uma janela de possibilidades, no qual poderemos a partir da nossa experiência profissional levar casos que presenciamos em nossas práticas para serem discutidos, degustados e comprovados cientificamente. O movimento de se distanciar e de se aproximar da sua prática, se deixar de lado, descentralizar, onde se duplica esse procedimento enquanto terapeuta-pesquisador não é fácil e precisa ser objeto de muita reflexão a fim de que o sujeito não renegue a sua subjetividade e sim tome partido dela ( Bois, p.158). Existem hoje campos da pesquisa que direcionam os interessados na área da pesquisa teórica e prática para um lugar de desenvolvimento dessa expertise. Acreditamos que tudo muda o tempo todo, cremos na impermanência das coisas, não podemos permitir que se torne estático o que é conhecido por sua dinamicidade e multiplicidade: o ser humano. O objetivo deste Caderno além de informar é o de fomentar dúvidas, questões e possíveis discussões. A Rede Inner é um espaço aberto para novos olhares, saberes, buscando sempre conexões que nos enriquecam enquanto elementos integrantes da natureza e do universo. Até a próxima e aproveitem para conhecer as referências que nos inspiraram para a escrita desta edição. Referências consultadas Peres Vannúzia – Pesquisa qualitativa e subjetividade: os processos de construção da informação – Rev. bras. psicodrama vol.27 no.1 São Paulo jan./jun. 2019 – http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-53932019000100016 (acesso em 01 de agosto de 2022) Martin Marilene – Estimulação Espacial Dinâmica da Fáscia – EEDiF – https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/46671?show=full ( acesso em 01 de agosto de 2022) Outras Mídias Como mudar a sua mente – Documentário da Netflix https://sechat.com.br/netflix-como-mudar-sua-mente-2022/ https://www.netflix.com/br/title/80229847?s=a&trkid=13747225&t=cp&vlang=pt&clip=81593887

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A ausência de evidência não é a evidência de ausência.

“A ausência de evidência não é a evidência de ausência.”  As evidências prescindem de provas: tem-se certeza mesmo sem contar com provas objetivas. A evidência demonstra, revela.  Quando não evidenciamos alguma coisa não quer dizer que ela não exista; nesse ponto falamos de pesquisa, investigação. As evidências científicas são resultantes de tendências apontadas por estudos realizados por especialistas sobre um determinado assunto.  A importância de estudarmos, pesquisarmos, nos atualizarmos, traz maior segurança numa aula, maiores possibilidades de uma condução assertiva e de ampliar o leque de caminhos. Nem sempre uma pessoa que traz um sintoma, a causa deste é a sua verdadeira questão. Nem sempre um sintoma apresentado por uma pessoa tem uma causa evidente: essa é a questão.  Em todas as 24 textos do Caderno Corporal (esse é o de número 25) buscamos despertar reflexões sobre o nosso corpo e todo esse universo que é o ser humano e sua relação com o outro, nossa sociedade e suas nuances. Como instrutor do Inner Balance/profissional do movimento, quais as evidências você procura quando um aluno(a) apresenta determinado sintoma?  Essa pergunta diz muito sobre sua postura, sobre o que te faz acreditar numa abordagem, numa técnica, num tratamento. Você é daqueles que se debruça sobre os livros e busca respostas neles? Ou é alguém que vai a campo e observa para depois investigar? Conservador ou revolucionário? Concreto ou abstrato? Reconhecer-se neste processo é importante para o desenvolvimento profissional. Todo processo criativo e inventivo é muito subjetivo; conhecer nossa forma de agir no campo de pesquisa e na vida nos auxilia a direcionar nosso trabalho frente às demandas que nos são apresentadas.  Para realizarmos uma avaliação do nosso aluno, utilizamos instrumentos, de preferência traduzidos e validados. Devemos realmente conhecer esse instrumento (um questionário, um exame específico) que deve servir para o seu questionamento e avaliação. Exemplo: você quer medir a força muscular e para isso deve saber o objetivo do instrumento, sua base teórica, como é aplicado e para que é indicado e também , realizar a mesma avaliação pré e pós intervenção, para ser conciso. Na pesquisa científica existem muitas normas e padrões a serem seguidos, e a validação dos instrumentos de avaliação são imprescindíveis. Temos vários tipos de validação, mas é necessário a nossa responsabilidade para realizar essas avaliações e medidas, que devem ter confiabilidade, estabilidade, consistência, equivalência, validade em diferentes aspectos. Salientamos que não é somente para pesquisadores que estamos aqui falando, mas para a prática clínica e avaliações de saúde.  Com respeito a frase “Ausência de evidência não é evidência de ausência”, o nosso objetivo foi despertar a reflexão sobre investigar nossas dúvidas e questionamentos. Sendo assim, não leve o aspecto científico para um local só para quem faz pesquisa, somos todos pesquisadores do movimento. O exercício de se colocar como pesquisador pode ser um lugar interessante no nosso fazer diário. O Inner Balance valoriza a pesquisa, interessa ao método ampliar os horizontes; quanto mais nos aprofundamos poderemos abrir espaços e questionamentos por caminhos inimagináveis. Poderemos trazer à luz da ciência as práticas que utilizamos, mas que ainda não foram comprovadas cientificamente.  A ciência requer coragem? Sim, no mínimo, a coragem de questionar a sabedoria convencional, sair fora da “caixa”. Isso é muito rico. Se você tem interesse, gosta e tem afeto pelo olhar investigativo, o Inner é para você! O método está de portas abertas àqueles que têm interesse pelo estudo do movimento do corpo e tudo que concerne a ele.  O caderno corporal é um espaço de leitura criado para despertar reflexões acerca do corpo, sobre o universo que é o ser humano, a sua relação com o outro, com a sociedade, com o trabalho e o estar no mundo. Gratas pela companhia nessa vigésima quinta edição do Caderno Corporal. Referências consultadas https://www.scielo.br/j/ress/a/v5hs6c54VrhmjvN7yGcYb7b https://quoteinvestigator.com/2019/09/17/absence/#more-436457 https://www.instagram.com/tv/CfMPI-9qmgP/?igshid=YmMyMTA2M2Y= A ciência e a clínica no aspecto da suplementação – Lisandro Cesi      

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Você tem fome de quê? 

“Não devemos parar nossas explorações, e o final de todas as explorações será a chegada ao ponto onde começamos a ver o lugar pela primeira vez”.  Stephen Covey   Um mestre Hindú em uma roda de conversa onde todos estavam em busca de aprenderem sobre como viver melhor e sobre como realizar as coisas da vida, pergunta: você já sentiu fome? As pessoas se entreolharam e perguntaram — o que tem essa pergunta a ver com o que viemos fazer aqui? O mestre continua… um dia, dois, três, quatro dias em jejum leva-nos a gastar energia com coisas que verdadeiramente importam. Segundo este mestre, uma vez com fome valorizamos o alimento que está na nossa frente; torna-se claro para nós a importância deste alimento e assim o degustaremos com sabedoria percebendo a cor, o sabor e as qualidades nutritivas deste alimento. Mas, se ao contrário, se durante todo tempo estamos a comer qualquer coisa, petiscando, nos empanturramos e corremos o risco de passar do ponto, de ficarmos cheios, mas sem nutrição e também não valorizarmos o alimento que nos é oferecido. O mestre fez a correlação da comida com os desejos e aspirações que nos movem, onde depositamos nossas energias de trabalho e o movimento da vida. Muitas vezes em função do corre corre diário não temos tempo para fazer nada. O mundo o tempo todo nos convida a petiscar; se pudéssemos fazer jejum de informações, talvez pudéssemos ser menos influenciados e mais autênticos com os nossos quereres. O quanto você deseja algo de fato? O quanto tem petiscado em lugares que tiram o foco do que realmente importa? Você está gordo de tantas informações? O que tem feito com esta gordura? Ela transforma a sua vida e a dos outros? Como colocar em prática as informações recebidas? Como está o seu tempo para o exercício da criatividade e a fruição? Você sabia que dentro da rede tem espaço para você pensar e desenvolver suas ideias e desejos? Desenvolvido pela Inner de base Giovanna Marqueli, o programa de estágio Inn Formação foi pensado para auxiliar você instrutor a descobrir seu espaço de atuação. O que te inspira, o que você tem vontade de pesquisar e colocar no mundo?  Você já parou para pensar que muitas horas da vida são dedicadas aos afazeres laborais? Assim sendo, não seria interessante e motivador passar estas horas fazendo o que se gosta? Então deixamos para você algumas perguntas para reflexão: o que te fez escolher ser um profissional do movimento somático? E como profissional do movimento, você é aquele que se debruça nos livros em busca de respostas para questões que surgem na sala de trabalho ou é aquele que vai experienciar, observar? É conservador ou revolucionário no seu modo de propor o movimento? Você consegue reconhecer no seu processo a sua forma de atuar no mundo e profissionalmente? Saber desses lugares nos auxilia a dar continuidade aos processos de realização profissional. Uma dica interessante para você descobrir o que te inspira é buscar na memória o que gostava de fazer quando criança. Nesta fase do livre brincar experimentamos com liberdade nossos dons inatos; revisitar a infância pode ser um lugar de potência para redirecionar desejos e aspirações.  O caderno corporal é um espaço de leitura criado para despertar reflexões acerca do corpo, sobre o universo que é o ser humano, a sua relação com o outro, com a sociedade, com o trabalho e o estar no mundo.   Gratidão por nos acompanhar!    Referências consultadas https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4134716/mod_resource/content/1/Os_7_Ha%CC%81bitos_das_Pessoas_Altamente_Eficazes-Stephen_Covey.pdf https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/58/o/Por_Que_Fazemos_O_Que_Fazemos__-_Mario_Sergio_Cortella.pdf https://youtu.be/XcXoASjAcBk

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Ser Corpo no mundo

“A alma respira através do corpo, e o sofrimento, quer comece no corpo ou numa imagem mental, acontece na carne”.  António Damásio Corpo, substantivo que vem do latim corpus e corporis, da família corpulência e incorporar.  O que tem extensão e é perceptível pelos sentidos. O conjunto dos sistemas orgânicos que constituem um ser vivo; o que preenche espaço, que tem forma. O corpo, seu corpo, o nosso corpo no coletivo e na interação com o meio. Corpo muitas vezes descrito e analisado, mas separado da experiência corpórea, do que ele apresenta como possibilidade de ser quando em ação no mundo. Muito se pesquisa o Corpo e o lugar ocupado por ele, corpo que na metodologia do Inner Balance é entendido como suporte físico da nossa existência, possibilitador do habitar, do sentir, do perceber e agir no mundo. Corpo que muitos dizem ter dificuldade de reconhecer, mas que é lembrado mediante um torcicolo ou uma lancinante fascite plantar que o obriga a se organizar para seguir na realização das demandas diárias. Corpo que foi fragmentado/segmentado para facilitar os estudos da medicina tradicional, assunto não objeto de reflexão do texto desta edição. Neste Caderno, convidamos você a se debruçar conosco na reflexão que o psicólogo, psicomotricista, autor e educador André Trindade traz sobre os poucos estímulos do corpo dos bebês/ crianças durante a pandemia e do modelo “pensamento sentado” adotado pelas escolas tradicionais que teimam em submeter o corpo adolescente por cinco, seis horas numa determinada posição. André Trindade que nos dará a honra da sua presença compondo a mesa redonda da Ação Troca Sensível e Solidária de 2022, onde será abordado o tema “SER CORPO NO MUNDO”. O que é ser um Corpo no Mundo para você? Que corpo é este? É um corpo sensibilizado ou endurecido pelas experiências pessoais, interpessoais, ambientais pelas quais está sendo atravessado? Como este corpo reage diante de tantos estímulos diários e como ele  se organiza interno e externamente? Quais são as reais necessidades deste corpo durante/pós pandemia do covid? Pandemia que ainda está viva, que nos ronda; será que podemos falar com convicção de um corpo pós pandemia? Ou estaríamos sendo mais generosos falando de um corpo que ainda atravessa essa (condição de insalubridade) na qual ele ainda está exposto? Corpo adulto, corpo adolecente, corpo infantil, corpo bebê? Em seu texto André fala da necessidade de incentivar as crianças a trocarem, interagirem entre si, mais do que enchê-las com conteúdos acadêmicos perdidos e externaliza que nestes trinta anos de observação de bebês e suas famílias foi surpreendido pela pandemia de Covid-19. Ele achava que os bebês estariam protegidos no ninho formado pela família e a sala desenhada para o brincar, mas se enganou. O impacto foi grande também para os pequenos; diz ter encontrado bebês subestimulados, com alguns atrasos no desenvolvimento motor, menos interessados pelo mundo ao redor e mais passivos. Ele diz ter ressignificado o entendimento do quanto “o corpo com o corpo”, expressão usada pelo autor para falar da interação deste corpo com o mundo, é fundamental para estes pequenos seres. André segue na observação nos levando ao mundo infantil onde ele fala deste corpo da infância submetido ao enrijecido pensamento sentado das escolas tradicionais, que impedem o livre existir destes corpos em idade de interagirem uns com os outros e de despertarem a sua motricidade e sugere que nesta idade a criança deveria chegar e fazer atividades livres como canto, danças e jogos cooperativos. O pensamento sentado é um modelo que aprisiona e corrobora para que estas crianças se transformem em adultos sedentários com corpos adormecidos e ausentes de si mesmos; corpos sujeitos a se reconhecerem enquanto corpos apenas nas crises álgicas e psíquicas.  Estão sendo esses corpos educados para percepção de si mesmos e para se perceberem integrantes de um todo, de um coletivo? O eu e o outro formam a sociedade, o ambiente em que vivemos, nosso caldo sócio-cultural. Corpo, mente e meio ambiente = a comportamentos = a um complexo sistema de integração mental que se modifica pelos estímulos recebidos da grande teia relacional. Bebês, crianças, adolescentes e adultos, todos corpos sujeitos, tendo que se haver com as demandas destas diferentes fases da vida; todos corpos que precisam ser aguçados a partir da curiosidade e prazer da escuta sensível do próprio corpo. Você como profissional facilitador o que pensa da relação, movimento x escuta interna x interação, com o meio ambiente? Você considera ser possível a partir da exploração dos sentidos e da percepção, afinar a escuta para o mundo?  A Rede Inner suscita discussões de saberes e olhares para uma sociedade mais democrática e como consequência, mais saudável e feliz. Gratidão por nos acompanhar! Referências consultadas  BAITELLO, Junior Norval. O pensamento sentado – Sobre glúteos, cadeiras e imagens. São Paulo: Unisinos, 2ªed. 2017 DAMÁSIO, António. O erro de Descartes, emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Cia das letras, 2004 GREINER, Christine. O Corpo – Pistas Para Estudos Indisciplinares. São Paulo: Annablume, 2a ed. 2005 Trindade André. Artigo: O corpo na volta às aulas https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2022/02/o-corpo-na-volta-as-aulas.shtml Na Web https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/corpo

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Sobre Alice, ética e conhecer a si mesmo

“Gatinho de Cheshire” começou um pouco tímida, pois não sabia se ele gostaria do nome, mas ele abriu ainda mais o sorriso. Alice continuou:  “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?” “Isso depende bastante de onde você quer chegar”, disse o Gato. “O lugar não importa muito…”, disse Alice. “Então não importa o caminho que você vai tomar”, disse o Gato. (p. 81) Certamente você já experimentou um coração dividido ao receber uma proposta, ou realizar determinada ação. Qual caminho tomar? Ir por este lado, ou por aquele? Pode ser que neste momento você tenha também se perguntando o quanto isto impactaria na sua vida e na vida das pessoas a sua volta. Já parou para pensar que todos os dias estamos em contato com situações onde temos que pensar em como o nosso agir afeta o outro e a sociedade? Todos os dias estamos diante de situações que podem atestar ou não a nossa integridade. Todos os dias nos encontramos com a possibilidade de colocar o nosso caráter à prova, todos os dias temos a oportunidade de praticar a auto-observação. O ver a si mesmo está muito ligado com o caminho a ser tomado diante de situações que não nos parecem adequadas, por isso achamos interessante começar a reflexão desta edição com este clássico da literatura. Conforme o combinado, nesta edição do caderno trazemos como tema a ética, assunto que permeia as discussões acaloradas da atualidade, principalmente neste contexto de informações distorcidas que saltam todos os dias das telas da tv e dos nossos celulares.  A palavra Ética vem do grego “Ethos” que significa modo de ser, jeito de ser, caráter; uma espécie de filosofia da moral. Mas, e a moral, o que é ? A Moral tem sua origem no latim, de “mores”, que significa costumes; um conjunto de regras e condutas estabelecidas por uma sociedade, de acordo com sua educação, tradição e cotidiano. Observamos desta forma que a ética e a moral andam de mão dadas. Podemos entender a ética como a responsabilidade que temos para com a sociedade a partir das nossas práticas individuais, profissionais e coletivas. A ética tem a ver com a valorização das relações humanas, o respeito aos valores que sustentam a comunidade e a reflexão permanente sobre estes lugares. Vemos desta forma o quanto a ética está estreitamente em conexão com o conhecer a si mesmo, como o quanto sabemos de nós, da vigília constante diante do que parece inofensivo, mas nos afasta dos princípios do que é ético e do que é moral. Quando nos conhecemos sabemos as direções a serem tomadas, não sairemos a perguntar para o gato o que já temos com clareza dentro de nós. Aristóteles e Immanuel Kant, foram pensadores que em seus discursos falavam da ética como virtude humana. O primeiro a propunha como uma condição para uma vida feliz, a felicidade não como prazer físico, mas a harmonização da vida com a ética. Kant acreditava que antes de uma pessoa realizar qualquer ato, deveria se perguntar: “isso fará bem para o coletivo?” O pensamento do dever cívico, para este filósofo, derruba a arrogância e o amor próprio, fazendo o indivíduo mais comprometido com a moral e com a coletividade. A ética, hoje, é compreendida como parte da Filosofia, cuja teoria estuda o comportamento moral e relaciona a moral como uma prática.  Pensadores brasileiros contemporâneos como Cortella, e Clóvis de Barros, a entendem como “um exercício diário da conduta humana, como uma espécie de inteligência a ser compartilhada a serviço da convivência. Para estes dois pensadores brasileiros a sociedade precisa ser justa para que todos tenham as mesmas oportunidades, a sociedade precisa ser livre de maneira que a vontade educada torne a liberdade responsável, a sociedade essencialmente precisa ser solidária onde haja um compromisso com o bem pessoal e o bem comum. Você concorda com eles? Como a partir do conhecimento de si mesmo, dos seus movimentos como profissional e ser presente no mundo e na sua comunidade, você vê a ética? Você pensa em como suas ações reverberam nos lugares por onde você transita? Você acha que podemos aprender com aqueles que buscaram ser éticos em vários momentos da humanidade e aplicar estes ensinamentos nos dias de hoje? Você deve estar pensando que os problemas daquela época não são os mesmos do dia de hoje; se sim você não está errado. Os problemas, os contextos variam, mas o ser humano que está sujeito à eles segue sendo o mesmo nas diferentes épocas da história.” A Rede Inner é pautada pela ética e suscita discussões de saberes e olhares para uma sociedade mais democrática e como consequência, mais saudável e feliz. Gratidão por nos acompanhar!   Referências consultadas https://www.brasilescola.uol.com.br   DIFERENÇA ENTRE ÉTICA E MORAL.  https://psicoativo.com/2017/09/diferencas-etica-aristoteles-etica-kant. Carroll, Lewis – Alice no País das Maravilhas https://www.objetivo.br/arquivos/livros/alice_no_pais_das_maravilhas.pdf Cortella, Mario Sergio – Alice no país das maravilhas  https://youtu.be/dpp3XFsTXnw Barros Filho, Clóvis de Moral, Ética e Diversidade Cultural. https://youtu.be/BM9x8HdElGs  

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Cada um de nós temos um recado para o mundo

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos”.  Eduardo Galeano Olá inners, a edição deste caderno traz uma reflexão acerca de como estamos realizando o trabalho nosso de cada dia. Você que nos acompanha certamente percebeu que há algumas edições estamos conversando sobre temas relacionados ao mundo do trabalho. Planejamento, procrastinação, assuntos pertinentes quando pensamos na organização do cotidiano de um profissional. O que é ser profissional? Reformulando a pergunta: O que é ser um profissional do movimento? Você já pensou sobre o que te direcionou a escolha do que você faz hoje? Vocação ou dinheiro? Pesquisando sobre filosofia e trabalho encontrei uma fala da Filósofa e professora brasileira Lúcia Helena Galvão que compartilho com vocês: ela diz, que cada um de nós tem um recado para dar ao mundo e que diferenciam-se no mercado de trabalho, por mais simples que seja este trabalho, os que estão preocupados em beneficiar o outro. Os que reduzem um pouco o seu egoísmo e pensam no bem estar do outro. Segundo Lúcia Helena, vem acontecendo no mercado de trabalho a entrada de pessoas não vocacionadas que só se preocupam em ganhar dinheiro, resultando numa grande massa de profissionais medíocres que não ganham dinheiro algum e infelizmente entregam experiências não favoráveis para as pessoas que confiaram nelas. Mas o que diferencia um profissional de um amador? Steven Pressfield, autor com o qual seguimos dialogando, acredita que o amador leva a vocação como coisa secundária; quando sobra tempo vai lá e faz. O profissional alimenta seu sonho e tem compromisso com sua vocação todos os dias. Um profissional cria tempo, espaço e ordem para que venham a criatividade e a inspiração, já o amador espera a inspiração aparecer. Para Pressfield somos profissionais todos os dias quando comparecemos no nosso local de trabalho faça chuva ou faça sol, na saúde e na doença; lá permanecemos e cumprimos nosso compromisso com o trabalho. Um profissional trabalha horas a fio porque está comprometido a longo prazo com o que está fazendo, domina a técnica porque entende a importância dela e é remunerado pelo seu ofício. Já o amador não recebe remuneração, não comparece todos os dias e não domina a técnica de sua arte. O amador teme as críticas e permite-se abalar por elas, o profissional procura aprender e crescer com as críticas recebidas. Perguntamos a vocês: como anda o empenho de vocês em relação a este “eu” profissional? Você reconhece no seu dia a dia que tem dado passos na direção do “devir” profissional? Como está a sua autovalidação no mercado que você atua? Tens reconhecido o trabalho dos que abriram o espaço para que hoje você possa atuar? Passfield chama a nossa atenção para as questões acima, dizendo que nos tornamos bons profissionais ao reconhecermos outros profissionais e nos permitimos realmente fazer parte deste time de profissionais. Quando assentimos ser guiados pelo nosso Self e não pelo nosso Ego reconhecemos as expertises dos colegas; e deixando de temê-las — aprendemos com eles porque o nosso Self nos guia para o pensamento de que a união e assistência mútua são os imperativos da vida. Ao nos darmos conta de que estamos todos juntos no mesmo barco, consideramos a ajuda, aceitamos as críticas construtivas de outros colegas que já conhecem o terreno o qual estamos começando a trilhar e assim acendemos um degrau da sabedoria interna.  Reconhecer nossas limitações, superar as adversidades, utilizá-las para reinventar a si mesmo faz parte do processo do “Devir profissional”. Saber quem somos, saber a que viemos (identificar o nosso propósito), saber onde estamos e onde queremos chegar facilita precificar o trabalho que ofertamos; tornando este processo natural como se é. Em suma, não temeremos e saberemos valorar o nosso dia, a nossa hora aula/ atendimento.  Obviamente que não devemos pensar na remuneração como uma recompensa e sim como parte do resultado, pois o retorno financeiro é parte integrante do “módus operandi” da sociedade. Como profissionais do movimento, levamos dentro de nós o olhar do artista. Olhamos para fora, mas buscamos dentro de nós o melhor para compartilharmos com o outro. Nos interessa o cuidado com o coletivo a partir do movimento, afinal somos profissionais do movimento em busca do mover a vida a partir das potencialidades do corpo. Achamos pertinente, levantarmos pontos, como: planejamento, organização do modo de trabalho; temas do mundo profissional nessas últimas edições do Caderno Corporal em função da rede Inner estar em plena expansão. Somos uma rede que se fortalece e que busca aprimorar suas práticas com um pensamento de um olhar não hierárquico; sempre prontos para mudar a rota se for necessário, desde que com questionamentos e discussões visando o respeito e a ética. Aliás, esse será o assunto da nossa próxima edição. Nos acompanhe!  Até nosso próximo Caderno Corporal   Referências Consultadas: • PRESSFIELD. Steven. A guerras da Arte Supere os seus bloqueios e vença suas batalhas interiores de criatividade. Rio de Janeiro. Ediouro, 2005.  • Professora Lúcia Helena Galvão. Como descobrir meu lugar no mundo?  https://youtu.be/cVcLvtZqQqw

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Procrastinar. É bom ou ruim?

Viemos ao mundo para CRESCER  Nós não adiamos nossas vidas hoje; nós as adiamos até nosso leito de morte. Steven Pressfield Nascemos, crescemos, nos tornamos adultos, envelhecemos e morremos; o conhecido CICLO DA VIDA. Nos encontros de mentoria da nossa rede muito temos conversado sobre o quanto afetamos e somos afetados pelo outro; acreditamos que a presença de cada sujeito vivente deixa uma marca, um registro no universo, acreditamos que os encontros, as parcerias que fazemos na vida sempre têm um propósito. Pensando o quanto o propósito está atrelado ao foco para realizar as coisas, ao tempo e ao planejamento (tema abordado na edição anterior do nosso caderno), convidamos vocês para uma reflexão acerca da Procrastinação, ato que comumente e sem pensar praticamos, que aos olhos de muitos é mal visto, mas aos olhos de estudiosos da criatividade não é tão mal visto assim. Pensam estes estudiosos que muitas vezes procrastinar esteja relacionado com um tempo a mais que nosso corpo encontra para organizar a razão, as emoções e a intuição, principalmente quando o que está em jogo são escolhas importantes que precisamos fazer na vida, ou de trabalhos em que precisamos nos debruçar e pesquisar com maior afinco. Outros acreditam que de certa forma talvez ela, a procrastinação seja até um ato de rebeldia contra um sistema que trabalha para estarmos o tempo todo produzindo. Muitas hipóteses, não é mesmo? Mas, que estas não sejam uma desculpa para não utilizarmos o tempo da melhor forma para atingirmos os nossos objetivos. Tempo, procrastinação, propósito, como mencionado acima andam juntos: como identificar uma procrastinação negativa? Como identificarmos em nós o que os gurus corporativos vêm chamando de procrastinador ativo e o procrastinador patológico? Uma vez que em algum momento da vida vamos deixar para amanhã alguma coisa a ser feita, talvez seja pertinente aprender a identificar o quanto temos isto em nós, a fim de que possamos traçar estratégias para agir evitando desta forma que a procrastinação torne-se um hábito, já que ela pode ser também negativa; afetar e nos fazer adiar, até mesmo nos desviar do caminho dos nossos propósitos. O quanto podemos adiar? Tem gente que acredita que desde que não esteja prejudicando o outro, não tem problema procrastinar. Vocês concordam? O que nos faz adiar? Como nos sentimos depois de adiar? O psicólogo americano Joseph Ferrari, professor da Universidade De Paul, de Chicago, um papa sobre o assunto realizou uma pesquisa entre estudantes e o resultado foi surpreendente: a maioria dos estudantes entrevistados disseram que adiam por medo, insegurança e por terem dificuldades com tarefas mais complexas. Também relataram que se sentiam ainda mais inseguros quando não conseguiam cumprir os prazos e cerca de 70% destes alunos entregam os trabalhos no prazo caso haja alguma espécie de punição. Joseph explica que isto acontece devido ao nosso sistema que foi desenhado exatamente para separar o urgente (córtex pré-frontal), parte consciente que o tempo todo trabalha nos lembrando que precisamos adiar certas recompensas e nos organizarmos para o futuro e o sistema límbico (relacionado a recompensas de curto prazo), este não menos importante que o primeiro nos chama para aquele docinho no meio da dieta, nos convida a parar no meio do trabalho e rolar o feed da rede social, ler o prefácio do livro que acabou de chegar, fazer facetime com alguém que queremos bem; estas ações relacionadas a este sistema que não difere muito de quando os primeiros habitantes escolhiam comidas mais gordurosas ou copular com o propósito de se tornarem fortes, ágeis e em maior número criando um cenário favorável para preservação da espécie. Pode ser que até aqui vocês estejam pensando que talvez procrastinar faça mesmo parte do nosso crescer, do nosso aprendizado no percurso de SER humano, e vocês não se equivocam ao pensar assim: a procrastinação foi tema de discussão de Hesíodo (650 a.C.), Sêneca (4 a.C.) e o é até os dias de hoje, haja vista que estamos aqui abordando o assunto. O que é necessário como Mônica e eu sugerimos no início do texto é identificar o quanto e porque procrastinamos, sabendo que o excesso da procrastinação diminui a nossa entrega, a nossa vontade de deixar o nosso rastro, de contribuirmos com o nosso trabalho para com o outro e com o mundo. Identificar é o melhor caminho, responder para si mesmo com verdade e clareza se o fazemos por medo do fracasso, medo no sentido de resistência de crescer, excesso de perfeição, por falta de organização do tempo ou até mesmo por não conseguir uma boa gerência das emoções. O livro “A Guerra da Arte” de Steven Pressfield fala muito sobre a procrastinação como uma espécie de resistência, um medo de crescer nos condicionando a usarmos os problemas como desculpas para o não realizar as coisas, levando-nos a desenvolver patologias relacionadas a angústia existencial pela não realização de nossos sonhos. Fugimos de nós mesmos e do diálogo interno, lançamos mão do uso de chocolate, do sono, das drogas, abuso de álcool, uso excessivo das redes ou outros subterfúgios que nos distraem e corroboram para o bloqueio de nossa potência criativa. Bauman, autor que sempre trazemos para nossas reflexões, considera a procrastinação, uma maneira de manipulação do tempo, no sentido de que o que foi adiado é amparado por um processo de produção sempre estendido, um querer chegar, mas sem pressa. Segundo ele, a não pressa nos envolve em um nunca acabar o processo de produção e nos mantém continuamente nos processos de criação. Na história temos conhecimento de alguns procrastinadores famosos, que não tinham pressa alguma de terminar os seus trabalhos, mas que em algumas situações usavam de artifícios para finalizarem as tarefas. Óbvio que de alguma maneira o procrastinar interferiu nas suas relações com os outros e com eles mesmos. Leonardo da Vinci mesmo levou dezesseis anos para pintar a sua Monalisa, ainda considerada como obra inacabada. Reza a lenda que ele não conseguiu receber o pagamento pela obra e tampouco entregar para quem a havia encomendado. O autor

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O Tempo perguntou para o tempo: – Quanto tempo o tempo tem?

O Tempo perguntou para o tempo: – Quanto tempo o tempo tem? O tempo respondeu para o Tempo: – O Tempo tem o tempo que o tempo tem que ter! Simples assim… Existe um tempo entre planejar e executar o planejado. Qual a sua relação com o planejamento? E qual a sua relação com o tempo? Em um mundo em estado de liquidez onde tudo é para ontem, onde o planejado para daqui a seis meses poderá não existir mais, como você lida com esta possibilidade? Você tem conseguido fazer um planejamento que seja coerente com a sua forma de ver e estar no mundo, ou frequentemente se martiriza porque acredita não estar em movimento o quanto o marketing midiático diz que deveria? Já parou para pensar o quanto estes pensamentos reverberam no seu estado corporal, na sua fala e consequentemente na relação com seu aluno/paciente? Compreender o funcionamento do mundo, planejar, conhecer a maneira como nos organizamos em um mundo onde a relação com o tempo está cada vez mais vaporosa, também faz parte do nosso processo de individuação, tema trazido no caderno da edição passada. Para esta edição colaborativa escrita por mim e a Inner Mônica Kestener, Zygmunt Bauman é o convidado para dialogar conosco acerca da nossa relação com o tempo/espaço, sobre planejamento e o entrelaçamento destas questões com o coletivo. Boa leitura! Impossível negarmos a influência da “Modernidade líquida” em nosso comportamento e de todos à nossa volta. Para falar sobre a relação espaço /tempo, Bauman usa três palavras para demarcar a relação dos indivíduos com o tempo/espaço e a transição da modernidade sólida para a líquida; são elas: wetware, hardware e software. Wetware seria a relação tempo e espaço na era pré–moderna, onde espaço e tempo se confundiam, onde o longe, tarde, perto e cedo significava o mesmo; o tempo que levamos para percorrer uma distância, fosse este caminhando, montado a cavalo, semeando ou arando, era um tempo de demora. A era Hardware classificada pelo autor como pesada – fez-se presente graças à aceleração e à conquista territorial. No Hardware o tempo passa a ser manipulado ou dimensionado, utilizado como ferramenta para conquista de espaço, quanto mais terra mais poder. Quanto mais velozes os indivíduos viessem a ser, no sentido de conseguirem chegar a um determinado lugar antes que outras, mais riquezas e posses acumulavam, o que caracterizou o tempo como uma ferramenta para conquista de bens e apropriação de terras.”(Bauman,2001) Segundo Bauman, o advento da invenção dos meios de transporte fez com que o tempo que antes sofria uma ação direta da inflexibilidade do Wetware e as distâncias, deixasse de ser o problema para que os humanos incursionassem em suas viagens. O tempo torna-se assim, um problema do hardware que nós humanos inventamos, construímos e manipulamos diferente do wetware impossível de esticar e controlar a extravagância de seus ventos e suas águas. No hardware o tempo se tornou independente das dimensões inertes e imutáveis das massas de terra e mares. O tempo no hardware passa a ser manipulado, tornando-se um parceiro de ruptura, necessário no casamento tempo-espaço. Certamente vocês já ouviram aquela famosa frase de Benjamin Franklin “tempo é dinheiro”, slogan que só confirmou a condição do homem como o “fazedor de ferramentas”. (Bauman, 2001). Podemos desta forma associar o começo da modernidade à emancipação do tempo em relação ao espaço, à aceleração e a conquista e chegada a lugares longínquos. A relação entre tempo e espaço sai de um lugar predeterminado e estagnado para um lugar mutável e dinâmico:  A “conquista do espaço” veio a significar máquinas mais velozes, o movimento acelerado significava maior espaço, e acelerar o movimento era o único meio de ampliar o espaço. […] era o princípio operativo da civilização moderna, se centrava no desenho de modos de realizar mais rapidamente as tarefas, eliminando assim o tempo “improdutivo”, ocioso, vazio e, portanto desperdiçado; ou, para contar a mesma história em termos dos efeitos e não dos meios da ação, centrava-se em preencher o espaço densamente de objetos e ampliar o espaço que poderia ser assim preenchido num tempo determinado. (Bauman, 2001. p. 131). A pós-modernidade ou a modernidade leve é movida pelo software. É o período das redes, da volatilidade, do rápido, instantâneo, era dos espaços múltiplos-virtuais e urbanos. Era do desenvolvimento técnico-científico-informacional. Podemos pensar que no wetware as redes se formam lentamente e de forma local, no hardware elas estão mais velozes, na velocidade de máquinas e sistemas de transporte, ainda com fronteiras locais. Já no software a rapidez aumenta, as distâncias encurtam e o tempo acelera, tudo se conecta em um mundo globalizado fazendo-se necessário ativar o sensor da intuição e sensibilidade para reconhecermos os lugares que acolhem da melhor forma nossa maneira de nos relacionarmos com o outro e com o que está a nossa volta. Trazendo os termos para a organização biológica do corpo; “wet” seria uma referência à água encontrada nas criaturas vivas. O Wetware é usado para descrever os elementos equivalentes ao hardware e software encontrados em uma pessoa, especialmente o sistema nervoso central (SNC) e a mente humana . O componente “hardware” do wetware diz respeito às propriedades bioelétricas e bioquímicas do SNC, especificamente do cérebro. Os impulsos que viajam pelos neurônios poderiam ser considerados simbolicamente como software, os neurônios físicos seriam o hardware. A fusão software/hardware, se manifesta por meio de conexões físicas em constante mudança e influências químicas e elétricas que se espalham por todo o corpo; o processo pelo qual a mente e o cérebro interagem para produzir a coleção de experiências que definimos como autoconsciência. Organizar-nos somaticamente torna-se de grande valia para o não endurecimento dos pensamentos; facilita o trânsito nas eras wetware, hardware e software, colaborando para o pensamento livre e criativo, centrado no que vamos fazer, como fazer e onde empregar o planejado. Se não sabemos o que fazer, como estamos fazendo e onde queremos chegar, não atingiremos nossos objetivos. E tudo bem se precisarmos de ajuda para nos organizarmos, a nossa rede foi justamente construída com o

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Não somos uma ilha

“Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.” Carl Jung Inners, Vocês já ouviram falar do processo de individuação? Talvez não com este nome, mas hoje em dia esta palavra está cada vez mais presente, inclusive no mundo do movimento, graças a aproximação com a filosofia, a psicanálise, a educação somática, e a neurociência. O convite do caderno corporal desta edição é pensarmos sobre a relação do processo de individuação com a aisthesis e o encadeamento destes com o nosso trabalho de facilitadores do movimento. Boa leitura! Hoje muito se fala em autoconhecimento, infelizmente, modismos têm levado a interpretações que longe de nos direcionar, nos afastam do sentido da coisa em si. Segundo a psicologia, principalmente a psicologia de Carl Jung, o processo de individuação culmina no autoconhecimento e que de certa forma todo ser vivente caminha nesta direção, alguns com mais facilidade e conscientemente, outros porque acontecimentos os levam até este lugar; outros não identificam e morrem sem passar por este processo em razão do ego, os complexos e o self não se afinarem. O termo individuação já era utilizado na filosofia do final do século X e início do século XI quando Jung o trouxe para ser a base angular do seu trabalho. Por Individuação entende-se o encontro com o self (com o si mesmo) a partir da colaboração do ego, dos complexos e arquétipos. Quando em determinada fase da nossa vida perguntamo-nos o que estamos fazendo aqui: quais as minhas responsabilidades para comigo e para com a sociedade; quando deixo de responsabilizar os outros pelo que acontece comigo, quando consigo mergulhar em mim mesmo, depois descolar de mim e olhar o que acontece com o mundo, pode se assim dizer que estou no caminho do processo de individuação. Jung dizia que o homem não é uma tábua rasa e que o processo de conhecer a si mesmo ao fim e ao cabo diz muito de/do como podemos contribuir a partir dos nossos talentos para o bem do outro, que este conhecer a si mesmo, no sentido do belo é compartilhar a essência encontrada em nós com o mundo. Como abordado no início do texto, atualmente o autoconhecimento, o processo de individuação está distorcido, chegando mesmo a ser confundido com individualismo e sendo vendido por profissionais de diferentes áreas do conhecimento nos canais que nos conectam com o mundo envolto por um laço colorido na mais bonita caixa que vimos na vida e o contexto da pandemia só exacerbou isto. E quando abrimos a tal caixa, o que encontramos lá dentro é um emaranhado de coisas a serem organizadas. E quem está neste processo de forma séria há algum tempo sabe muito bem quantas marretas estão sendo necessárias para lapidar o diamante bruto e sabe também da beleza de ver o brilho de cada faceta lapidada. Pergunto a vocês: como nós, enquanto facilitadores do movimento somático, proporcionamos este lugar de encontro com nós mesmos e em nossos alunos/pacientes? Como proporcionar verdadeiramente um lugar de acolhimento, para juntos trilharmos este percurso? Cada vez mais os estudos científicos comprovam que as técnicas somáticas disponibilizam o corpo, corroborando para que o sujeito vá ao encontro do processo de conhecer a si mesmo, processo tão necessário para vivermos com plenitude a vida. E todos sabemos que quando nos sentimos plenos, nos sentimos mais disponíveis para os atravessamentos. O Inner parte da primícia de que somos pedras brutas a serem lapidadas a cada experiência vivida, acreditamos que a partir do movimento somos incitados a estarmos vulneráveis para facilitar o mergulho em nós mesmos e que esta qualidade (vulnerabilidade) nos abre para as conexões facilitadas por um dos órgãos mais sensitivos, imaginativos e criativos do corpo – o nosso coração. Orgão tão importante e muito mencionado no método, órgão que no mundo antigo era associado às coisas pelos sentidos. Aqui chamamos a atenção de vocês para a palavra aisthesis, palavra de origem grega, que significa literalmente perceber o mundo a partir das nossas sensações e trazê-lo para dentro. (Hillman, p. 93). Quando se fala de mundo, estamos falando de tudo que diz respeito a nós, aos outros e a natureza. De acordo com Hillmann, autor em quem me apoio para este diálogo, o nosso coração nos aproxima e faz uma ponte para este lugar do belo, não no sentido estético, mas no lugar do sentido de perceber as coisas ao nosso redor, da conexão com as nossas emoções, nossas sensações, a fim de facilitar este encontro conosco e com os nossos alunos/pacientes: na interpretação neoplatônica, a beleza é simplesmente a manifestação, a exposição de fenômenos, a apresentação da anima mundi, se não houvesse beleza, deuses, virtudes, e formas não poderiam ser reveladas. A beleza é uma necessidade epistemológica, aisthesis é como conhecemos o mundo.[…]. Um faro para a inteligibilidade das coisas, seu som, seu cheiro, forma, falar para e através das reações do nosso coração, respondendo a olhares e linguagem, tons e gestos das coisas entre as quais nos movemos. Vivemos para empreender o processo do autoconhecimento e da individuação, deste encontro com a nossa essência, reconhecemos nosso lugar no mundo no qual transitamos onde a meta final é o compartilhar, dividir, colaborar com o outro, através do nosso trabalho, sermos agentes de mudança na vida do outro e na nossa própria vida. Como sempre nos lembra Bruna Petito, estamos em uma constante troca onde o corpo torna-se um mediador entre a identidade de si e as conexões com o mundo a partir das experiências. Referências consultadas HILLMAN James. O pensamento do coração e a alma do mundo. Campinas, SP: editora Verus. 2010: https://www.ijep.com.br/artigos/show/individuacao-a-arte-de-tornar-se-quem-voce-e Individuação: a arte e tornar-se quem você é. Monica Martinez – 13/05/2021: https://youtu.be/ST-_oa2ER2I Individuação o que é e qual a sua importância na Teoria Junguiana – IJEP – INSTITUTO JUNGUIANO DE SÃO PAULO. 14/06/2020: https://www.instagram.com/reel/CbudmZCDwg5/?utm_medium=copy_link Post Inner Balance – Por que a percepção é tão importante?

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Não precisamos caminhar sozinhos – A importância do olhar interdisciplinar no cuidado com o outro

A alma respira através do corpo, e o sofrimento, quer comece no corpo ou numa imagem mental, acontece na carne. António Damásio Quando conscientes de nós mesmos e em frequência com o Universo, a vida nos dá condições de exercermos com humanidade o nosso papel enquanto facilitadores do movimento Somático.  É muito importante estarmos atentos a linguagem corporal e também a fala do nosso aluno/paciente, desde o momento que ele chega a sala de trabalho, pois este primeiro contato já nos dá pistas de como procedermos para a construção de uma relação que promova abertura para os processos de conhecimento de si e o encontro das possibilidades deste sujeito de mover o corpo no espaço/mundo. Uma boa relação com o aluno/paciente, além de promover confiança nos aproxima do seu corpo subjetivo, possibilitando-nos observar e avaliar a necessidade de trazer conosco profissionais de outras áreas, para juntos encontrarmos o melhor caminho para as questões e queixas que o paciente/aluno nos apresenta,  principalmente quando estamos falando de indivíduos com dores crônicas. Este olhar faz parte da abordagem do ser humano no chamado modelo biopsicossocial. De acordo com Liporaci, autor que dialoga conosco, este modelo de pensamento clínico afirma que grande parte das doenças tem sua origem não somente nos fatores biológicos, mas também psicológicos e sociais, que podem ser um gatilho para alterações no processo biológico do corpo. Esta forma de pensar o ser humano é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sustenta que os “profissionais precisam ampliar o raciocínio da análise diagnóstica e de tratamento a fim de promover segurança, conforto e bem estar para o sujeito a ser cuidado”. Uma equipe interdisciplinar pode contar com médico, fisioterapeuta, Educador físico, Terapeuta corporal, Psicólogo, lembrando que todos esses profissionais ocupam um lugar relevante. Esta forma de pensar tem um fator que para nós facilitadores do Movimento Somático, formados no método Inner Balance, é caro: a autonomia.  Este modelo sustenta que o paciente/aluno não pode ser considerado vítima passiva da dor ou doença, mas que ele faz parte do processo, da gênese até a cura.   “ O modelo biopsicossocial tem por base que cada profissional da saúde (médico, fisioterapeuta, psicólogo, educador físico etc.) possa compreender que para tratar uma doença é necessário utilizar um arsenal terapêutico pertinente a cada especialidade. Algo que contemple não somente a parte biológica, mas também o aspecto psíquico e o sociocultural.(…) a proposta será que utilize sua expertise para a melhora da função física, além de mapear os componentes emocionais (como o temor presente ao realizar certos movimentos), sociais e de estilo de vida (carga de trabalho, estresse ocorrido, alteração de sono, sedentarismo) e cognitivos (pensamentos pessimistas acerca do problema, convicções infundadas sobre seu corpo e sobre riscos injustificados que não tem relação com o agravamento do quadro, por exemplo), e trazer à luz as fragilidades que, somadas, compõem aquela amplitude de dor, para que o paciente possa ter autorresponsabilidade de entendê-las e saná-las seja por conta própria, seja com a ajuda de profissionais especializados. (Liporaci, p.61).   No primeiro caderno sobre o tema “Dor”, (DOR: RE-CONHECENDO PARA BUSCAR ESTRATÉGIAS DE TRABALHO) vimos que conceitualmente a dor é entendida como uma experiência sensorial e emocional desagradável relacionada a dano tecidual real ou potencial apresentando os seguintes componentes: percepção dolorosa e reatividade emocional. Ela  é percebida pelos nossos tecidos corporais, nossas emoções, mas também está relacionada aos aspectos psíquicos, como o sujeito elabora os acontecimentos em sua vida. Se a capacidade de percepção e de resolução de problemas do sujeito é pouca ou nula, ele tem chances de sentir a dor com mais intensidade e ter uma resposta mais lenta para o alívio da mesma, enquanto o outro que tem uma capacidade de resolução de problemas mais eficaz, elabora uma resposta mais rápida que corrobora para a remissão da dor (LIPORACI, p.37). A mente de um corpo com pouca  capacidade de resolução de problemas, fragilizado pela dor, é um ambiente fértil para avolumar  mitos e crenças infundadas acerca da dor; mitos que infelizmente interferem nos resultados do tratamento. Sabemos que …”as crenças dos pacientes impactam diretamente  no resultado do tratamento.” (2019, Internacional Journal of Osteopathic Medicine).  Um estudo realizado com 113 pacientes de (18-67 anos), que sofriam de dor crônica e tinham muitas crenças em relação a dor concluiu que o trabalho corporal somado ao diálogo terapêutico que abordava os aspectos psicossociais da dor  colaborou para melhoria da prontidão para mudança, graças a aceitação e compreensão por parte do paciente da conexão corpo-mente. Está claro que a interdisciplinaridade se torna indispensável, quando as limitações e crenças do aluno/paciente impactam diretamente no resultado dos tratamentos convencionais.  As limitações e as crenças podem  ter diversas origens, como episódios de trauma por lesão anterior, registros mentais relacionados a violências, tratamentos anteriores não satisfatórios, contexto social e, principalmente, o referencial subjetivo e intangível do próprio paciente/aluno. Neste contexto, a integração interdisciplinar deverá atuar de forma humanizada conduzindo um tratamento contextualizado a realidade do paciente/aluno.  É necessário que os profissionais envolvidos no tratamento de dores crônicas de ordem psicossomática ou não, também identifiquem suas próprias crenças e limitações, desenvolvendo a partir desta compreensão suas habilidades de comunicação empática que acolham esses sujeitos e esclareçam suas dúvidas, medos e angústias com uma linguagem acessível e de forma mais simples possível, criando um laço de confiança que influenciará positivamente nos resultados e qualidade de vida de seus pacientes/alunos. Até a próxima edição.  Constância e Luciana  Bibliografia consultada  LIPORACI, Rogério. Acredite a vida sem dor é possível: entenda a origem da dor crônica que limita seu bem-estar físico, saiba como enfrentá-la para obter resultados duradouros e resgate sua autoconfiança. Ed. Gente. São Paulo, SP, 2020 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0020748909003939 visualizado em 19/02/2022   professor Leandro Reche www.leandroreche.com.br International Journal of Osteopathic MedicineVol. 32p28–43Published online: April 12, 2019 https://www.journalofosteopathicmedicine.com/article/S1746-0689(18)30131-7/fulltext   

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